Mato Grosso do Sul

MPMS sob suspeita: órgão teria apagado nomes de contracheques desafiando Lei da Transparência

Um relatório divulgado em agosto pela Ong Transparência Brasil revelou uma prática alarmante no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS): segundo o levantamento, o órgão passou a ocultar os nomes e matrículas de seus membros nos contracheques publicados em seu Portal da Transparência.

A medida, que impede a identificação individual dos salários, coloca o MPMS entre os três do país que retrocederam no cumprimento das normas de transparência.

Segundo a entidade, essa conduta afronta diretamente a Resolução nº 89/2012 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que determina a divulgação nominal das remunerações. Apesar da irregularidade aparente, a própria Ouvidoria Nacional do CNMP alegou não enxergar problemas na prática, abrindo precedente para a continuidade da omissão.

Para especialistas em transparência, trata-se de um golpe contra o direito da sociedade de fiscalizar o uso do dinheiro público. A entidade critica ainda a justificativa apresentada pelo procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Romão Ávila Milhan Júnior, que defendeu a ocultação de dados sob o argumento de proteção da privacidade dos membros do MP.

O relatório alerta que a decisão fragiliza o controle social e estimula uma “cultura de opacidade” dentro do Ministério Público. Na avaliação da Transparência Brasil, o discurso de proteção de dados é usado como escudo para mascarar remunerações muito acima do teto constitucional, infladas por benefícios indenizatórios.

Além de denunciar a conduta do MPMS, a entidade responsabiliza o CNMP por validar o descumprimento da sua própria resolução. “A anuência do Conselho incentiva outros órgãos a também esconder informações essenciais, esvaziando o princípio da publicidade e o dever constitucional de transparência”, afirma o documento.

Entre as recomendações, a Transparência Brasil cobra que o CNMP revogue alterações recentes que reduziram a obrigatoriedade de detalhamento dos contracheques e que reabra diálogo com a sociedade civil para construir padrões mais rigorosos de prestação de contas.

Na avaliação da entidade, ao se blindar da transparência, o MPMS viola sua própria missão institucional de zelar pela legalidade e pela democracia.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Mato Grosso do Sul

Total de financiamentos pelo FCO em MS já ultrapassa R$ 367 milhões

Na segunda reunião ordinária do ano, realizada no dia 20 de fevereiro, os integrantes do CEIF/FCO (Conselho Estadual de Investimentos
Mato Grosso do Sul

Justiça de MS condena CESP a pagar R$ 428 milhões a Três Lagoas

Em decorrência de um processo antigo, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que a  Companhia Energética de São