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Governanças regionais alinham estratégias para ampliar turismo em Mato Grosso do Sul

Representantes das nove regiões turísticas de Mato Grosso do Sul discutiram novas formas de transformar atrativos naturais, culturais e gastronômicos em roteiros integrados. O debate ocorreu nos dias 10 e 11 de agosto, durante o Encontro das Governanças de Turismo, realizado no Living Lab, em Campo Grande.

Promovido pela Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), com apoio do Sebrae/MS, o evento reuniu aproximadamente 60 participantes. Estiveram presentes gestores municipais, integrantes dos Conselhos Municipais de Turismo, empresários, estudantes e representantes das Instâncias de Governança Regional (IGRs).

As discussões abordaram planejamento territorial, sustentabilidade, inovação, promoção dos destinos, captação de recursos e diversificação das experiências oferecidas aos visitantes.

Estado possui nove regiões turísticas organizadas

As Instâncias de Governança Regional conectam prefeituras, empresas e organizações da sociedade civil para elaborar ações conjuntas. A proposta é superar iniciativas isoladas e permitir que municípios próximos compartilhem roteiros, estrutura, divulgação e estratégias comerciais.

Mato Grosso do Sul possui nove IGRs: Bonito–Serra da Bodoquena, Celeiro do MS, Caminhos da Fronteira, Caminhos da Natureza/Conisul, Campo Grande dos Ipês, Costa Leste, Pantanal, Rota Cerrado Pantanal e Vale das Águas.

A articulação regional leva em conta que a viagem do turista não se limita às divisas municipais. Um visitante pode passar por diferentes cidades durante o mesmo roteiro, consumindo hospedagem, alimentação, transporte, passeios e produtos locais em vários pontos do percurso.

Para o diretor-presidente da Fundtur-MS, Bruno Wendling, o desenvolvimento de um destino exige planejamento de longo prazo e participação de diferentes setores.

“A regionalização é um caminho importante para garantir a continuidade das políticas públicas de turismo. O ciclo da gestão pública é temporário, enquanto o tempo necessário para a maturação de um destino é muito maior”, afirmou.

Segundo ele, as estruturas regionais ampliam a capacidade dos municípios de identificar prioridades e executar projetos adequados às características de cada território.

reprodução/Sebrae MS

Pequenos negócios dominam setor turístico

O fortalecimento das governanças também tem impacto direto sobre as empresas. Mato Grosso do Sul possui mais de 45 mil empreendimentos cuja atividade principal está relacionada ao turismo, segundo dados da Receita Federal. Desse total, 94% são pequenos negócios.

São empresas que atuam em segmentos como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, artesanato, entretenimento e prestação de serviços. A organização dos destinos pode aumentar a circulação de visitantes e criar novas oportunidades para esses estabelecimentos.

A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, destacou que os atrativos somente geram resultados econômicos quando são convertidos em produtos e experiências acessíveis ao público.

“O turismo depende diretamente da força dos territórios e da capacidade dos pequenos negócios de transformar os atrativos locais em produtos e experiências”, avaliou.

A instituição atua na estruturação das governanças, na capacitação dos empreendedores e na elaboração de estratégias para melhorar a competitividade dos destinos.

Novos critérios para classificar municípios

Durante o encontro, foram apresentados a sétima fase do Programa de Classificação Turística dos Municípios de Mato Grosso do Sul e o Manual de Governança Turística. Os materiais deverão orientar a organização, o acompanhamento e a avaliação do setor nos diferentes municípios.

A sustentabilidade ganhou destaque entre os critérios discutidos. Para a gestora da Reserva Particular do Patrimônio Natural Ernesto Vargas Baptista, Ana Luzia Abrão, a preservação precisa integrar o planejamento turístico de um Estado formado por ambientes como Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.

Ela avaliou que a regionalização pode aproximar municípios com atrativos e estruturas complementares, facilitando a criação de produtos turísticos mais completos.

reprodução

Turista busca experiências, não divisas

A construção de roteiros integrados foi um dos principais temas da programação. A turismóloga Elisiane Silveira ressaltou que o visitante escolhe experiências, e não destinos condicionados aos limites administrativos.

“Para o turista, não existem barreiras entre municípios ou estados. Ele busca experiências únicas, gastronomia, cultura e aquilo que há de diferente em cada território”, explicou.

Na prática, essa abordagem permite combinar em uma mesma viagem turismo de natureza, gastronomia, pesca, cultura, eventos e atividades rurais. A estratégia pode ampliar o tempo de permanência do visitante e distribuir a receita entre mais municípios.

A programação dos dois dias também contemplou design de destinos, inovação, promoção turística, captação de recursos e uma oficina técnica com as governanças regionais. Estudantes de Turismo da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul acompanharam os debates como parte da formação acadêmica.

Após o encontro, o desafio das nove regiões será transformar as discussões em projetos capazes de ampliar a oferta turística, qualificar os negócios e conectar destinos que ainda são promovidos de maneira isolada.

1 Comment

  1. Estratégias regionais para fortalecer turismo em Mato Grosso do Sul - MS Inteiro

    agosto 20, 2026

    […] Governanças regionais alinham estratégias para ampliar turismo em Mato Grosso do Sul […]

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