Segunda linha elevaria a capacidade da fábrica para 4,4 milhões de toneladas anuais, enquanto concorrentes aceleram novos projetos em Mato Grosso do Sul
A ampliação da fábrica da Eldorado Brasil poderá colocar Três Lagoas diante de um novo ciclo de crescimento industrial. Planejada para acrescentar 2,6 milhões de toneladas à produção anual, a segunda linha da unidade elevaria a capacidade da companhia das atuais 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose.
Apesar do potencial econômico, o projeto continua sem cronograma oficial para o início e a conclusão das obras. A expansão integra um pacote estimado em R$ 25 bilhões, que também contempla o aumento das florestas plantadas e a construção de uma ferrovia entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado.
Conhecido como Vanguarda 2.0, o empreendimento começou a ser estruturado na década passada, mas foi afetado pela prolongada disputa entre a J&F e a Paper Excellence pelo controle da Eldorado. Parte da terraplanagem e da infraestrutura chegou a ser executada antes da paralisação.
Com o fim do conflito societário, aumentou a expectativa pela retomada do investimento. Em 2025, a empresa recebeu autorização ambiental para ampliar a capacidade prevista da segunda linha de 2,3 milhões para 2,6 milhões de toneladas anuais. O avanço no licenciamento, entretanto, ainda não resultou no anúncio de um calendário para a construção.
A Eldorado também passa por uma reorganização financeira após a J&F consolidar o controle da companhia. A operação utilizada para adquirir a participação do antigo sócio elevou a dívida líquida da fabricante de aproximadamente R$ 966 milhões, no fim de 2024, para R$ 9,7 bilhões em 2025.
Embora a empresa continue investindo em manutenção, modernização e expansão da estrutura florestal, a execução da segunda linha poderá depender da redução do endividamento ou da obtenção de novos recursos. A Eldorado ainda não informou oficialmente quando pretende iniciar o projeto.

Ferrovia avança em outra frente
Enquanto a expansão industrial permanece sem prazo, a ferrovia planejada pela companhia avança em etapas próprias. O ramal terá aproximadamente 87 quilômetros e ligará a fábrica de Três Lagoas ao terminal de Aparecida do Taboado, permitindo acesso à Malha Norte.
O empreendimento recebeu financiamento de R$ 1,05 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A previsão apresentada nos documentos do projeto é de conclusão em setembro de 2029.
A estrutura deverá ampliar a capacidade de escoamento da celulose e reduzir a dependência do transporte rodoviário, com possível diminuição da circulação de caminhões nas rodovias da região.

Concorrentes avançam em Mato Grosso do Sul
A indefinição da Eldorado ocorre enquanto outras fabricantes ampliam rapidamente sua presença no Estado. A Suzano já opera, em Ribas do Rio Pardo, uma fábrica com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas anuais, resultado de um investimento de R$ 22,2 bilhões.
Em Inocência, a Arauco constrói uma unidade de US$ 4,6 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 25 bilhões. A fábrica terá capacidade de 3,5 milhões de toneladas por ano e deve entrar em operação no último trimestre de 2027.
Bataguassu também poderá receber uma indústria da Bracell, com investimento estimado em R$ 16 bilhões. Os projetos consolidam Mato Grosso do Sul como uma das maiores fronteiras mundiais de expansão da celulose.
Para Três Lagoas, a segunda linha da Eldorado representaria aumento da demanda por trabalhadores, fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços. Também ampliaria a necessidade de investimentos públicos em habitação, trânsito, saúde e infraestrutura.
O projeto tem potencial para reforçar a liderança industrial do município e movimentar toda a região leste. No entanto, até que a companhia apresente um cronograma oficial, a expansão bilionária continuará sendo uma promessa de grande impacto econômico, mas ainda sem data para sair do papel.






