Obra está pela metade, não possui contrato para retomada e recurso previsto no Orçamento da União não garante sua conclusão
A expansão da indústria de celulose tem aumentado a movimentação de cargas na região de Três Lagoas, mas as obras de infraestrutura não avançam no mesmo ritmo. Projetado para retirar caminhões da área urbana, o contorno rodoviário permanece paralisado desde o fim de 2024 e ainda não tem prazo para ser concluído.
O empreendimento terá 26,5 quilômetros e fará a ligação entre as BRs 158 e 262. A proposta é permitir que veículos em trânsito para Campo Grande, São Paulo, Brasilândia e Selvíria desviem da Avenida Ranulpho Marques Leal, atualmente utilizada tanto pelo tráfego urbano quanto por caminhões de carga.
Iniciada em janeiro de 2021, a obra deveria ter sido entregue inicialmente em 2024. O contrato chegou a aproximadamente R$ 200,8 milhões, mas foi rescindido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) após descumprimentos atribuídos ao consórcio responsável. A empresa recebeu multa de R$ 15,2 milhões e ficou temporariamente impedida de participar de licitações do órgão.
Com a rescisão, o Dnit precisa contratar uma nova empresa para finalizar o projeto. Cerca de 15 quilômetros de pavimento em concreto foram executados, o equivalente a aproximadamente metade da obra.
Em setembro, o Governo Federal abriu crédito suplementar de R$ 33,9 milhões para o contorno. A medida, no entanto, representa uma autorização orçamentária e não a liberação imediata do dinheiro. A aplicação depende de etapas como empenho, contratação e repasse financeiro.
Além disso, o valor reservado está distante da estimativa de aproximadamente R$ 200 milhões divulgada anteriormente para a conclusão do empreendimento. Até o momento, não existe novo contrato assinado nem data definida para o retorno dos trabalhos.

Pressão sobre as rodovias e o trânsito urbano
A demora ocorre enquanto a Costa Leste consolida-se como um dos maiores polos mundiais de celulose. Três Lagoas já abriga grandes unidades industriais, enquanto empreendimentos em Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu ampliam a cadeia florestal e a demanda por transporte.
O crescimento aumenta a circulação de caminhões carregados com madeira, celulose, equipamentos, combustíveis e insumos industriais. Embora parte da produção utilize a ferrovia, as rodovias continuam essenciais para conectar as florestas, as fábricas e os terminais logísticos.
Sem o contorno, veículos pesados continuam atravessando áreas urbanizadas de Três Lagoas. O fluxo provoca desgaste do pavimento, interfere no acesso aos bairros e estabelecimentos comerciais, reduz a fluidez do trânsito e aumenta os riscos de acidentes.
A previsão é de que aproximadamente 14 mil veículos utilizem diariamente o novo trecho quando a obra estiver concluída. O desvio deverá reduzir a passagem de caminhões pela Avenida Ranulpho Marques Leal e melhorar a ligação entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A situação evidencia o descompasso entre o avanço dos investimentos privados e a execução das obras públicas. Enquanto novas indústrias transformam a economia regional, a principal intervenção destinada a desafogar as rodovias e o trânsito de Três Lagoas permanece sem recursos suficientes, contrato de retomada ou previsão de entrega.






