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Celulose ganha força na geração de energia renovável no Brasil

Biomassa florestal e resíduos industriais abastecem fábricas e podem gerar eletricidade excedente para a rede

A expansão da indústria de celulose também fortalece a produção brasileira de energia renovável. Além de utilizar madeira proveniente de florestas plantadas como matéria-prima, o setor transforma biomassa e resíduos do processo industrial em calor, vapor e eletricidade.

Esse aproveitamento integra um movimento mais amplo do agronegócio, responsável por aproximadamente 60% da oferta de energia renovável do Brasil em 2025. As cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais produziram o equivalente a 97,8 milhões de toneladas de petróleo, maior volume da série analisada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para Mato Grosso do Sul, onde estão instaladas algumas das maiores fábricas de celulose do país e novos projetos avançam, o resultado evidencia outra dimensão da cadeia florestal. As unidades industriais não apenas produzem celulose para os mercados nacional e internacional, mas também podem reduzir a dependência de fontes externas de energia.

Um dos principais recursos utilizados pelas fábricas é a lixívia, conhecida no setor como licor negro. O subproduto surge durante a separação das fibras da madeira e contém matéria orgânica com potencial energético.

Nas caldeiras de recuperação, esse material é queimado para gerar vapor, utilizado nas diferentes etapas da produção. O processo também movimenta turbinas para produzir eletricidade, que pode abastecer a própria unidade industrial.

Dependendo da estrutura e da eficiência da fábrica, a geração supera o consumo interno. Nesse caso, o excedente pode ser encaminhado ao sistema elétrico, ampliando a oferta de energia renovável para outras atividades.

A biomassa florestal também pode ser composta por cascas, cavacos, galhos e outros materiais que não são aproveitados diretamente na fabricação da celulose. Em vez de serem descartados, esses resíduos passam a integrar o sistema energético das plantas industriais.

Produção renovável cresce no país

O levantamento da FGV mostra que a bioenergia vinculada ao agronegócio cresceu cerca de 16% entre 2021 e 2025. A oferta passou de 84,2 milhões para 97,8 milhões de toneladas equivalentes de petróleo.

No mesmo período, o total de energia renovável disponível no Brasil avançou de 136,7 milhões para 162,3 milhões de toneladas equivalentes de petróleo.

As fontes relacionadas ao agronegócio, incluindo a cadeia florestal, representaram 29,8% de toda a oferta interna de energia brasileira em 2025. Isso significa que quase três de cada dez unidades de energia disponíveis no país tiveram origem na produção rural ou na agroindústria.

Além da biomassa e dos resíduos da fabricação de celulose, esse conjunto reúne etanol, biodiesel, bagaço da cana-de-açúcar, óleos vegetais, lenha de florestas plantadas e biogás.

O aproveitamento energético dos subprodutos torna-se ainda mais relevante diante do crescimento da produção de celulose. Novas fábricas elevam a demanda por calor e eletricidade, mas também ampliam a disponibilidade de biomassa capaz de gerar energia.

Esse modelo favorece o uso mais completo da madeira, reduz a quantidade de resíduos e diminui a necessidade de combustíveis fósseis nas operações industriais. Também pode contribuir para reduzir custos e aumentar a autonomia energética das unidades.

O desafio é ampliar essa eficiência para outras etapas da cadeia. Máquinas florestais, caminhões e equipamentos ainda dependem, em grande parte, de diesel. Entre as alternativas estudadas estão o uso de biodiesel e biometano, a eletrificação de operações e a modernização das estruturas logísticas.

Assim, a cadeia da celulose ocupa duas posições na transição energética: produz uma matéria-prima renovável e utiliza os próprios subprodutos para abastecer suas operações. Em estados com forte concentração industrial, como Mato Grosso do Sul, essa combinação amplia a importância econômica e energética do setor.

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