PT e PL ampliam mobilizações antes do segundo turno, enquanto episódios de violência e pressão política elevam a tensão no Estado
A última semana da disputa presidencial ganhou as ruas de Mato Grosso do Sul em um ambiente marcado por grandes mobilizações, denúncias de violência política e aumento dos relatos de pressão sobre trabalhadores. PT e PL intensificaram as campanhas para o segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, marcado para o domingo (25).
Em Campo Grande, os dois partidos realizarão seus principais atos estaduais no sábado (24), na Avenida Afonso Pena, em horários diferentes. O PT programou o “Grande Ato da Vitória” para as 9h, com concentração no cruzamento com a Rua 14 de Julho. Às 15h, apoiadores do PL deverão ocupar a avenida com carros, motocicletas, bicicletas, caminhões e cavalos.
As campanhas também promovem carreatas, adesivagens e reuniões no interior. O PL busca ampliar a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto o PT concentra esforços nos eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco ou nulo.
No dia 4 de outubro, Flávio recebeu 873.351 votos em Mato Grosso do Sul, equivalentes a 58,60% dos válidos. Lula somou 516.855 votos, ou 34,68%. A diferença foi de 356.496 votos.
Além da disputa entre os candidatos, as campanhas voltam suas atenções para as 483.210 pessoas que não votaram no primeiro turno. As ausências representaram 23,87% do eleitorado sul-mato-grossense, a maior taxa de abstenção do país. Esse contingente supera a diferença registrada entre os presidenciáveis no Estado, embora não seja possível saber como esses eleitores votariam.

Meta para os votos válidos no Estado
O PL estabeleceu como meta alcançar 70% dos votos válidos para Flávio em Mato Grosso do Sul. A estratégia envolve prefeitos e lideranças municipais, além de atos em cidades como Campo Grande, Três Lagoas, Dourados, Bodoquena, Caracol e São Gabriel do Oeste.
O PT pretende reduzir a vantagem do adversário no Estado e contribuir para o desempenho nacional de Lula. Além do ato de sábado, a legenda programou manifestações com estudantes e atividades culturais na Capital e no interior.
A intensificação das mobilizações, contudo, também vem acompanhada por episódios de tensão. Em Três Lagoas, o presidente municipal do PT, Reynood Duarte, relatou ter sido atingido no rosto por um motociclista durante a passagem de um ato favorável a Flávio Bolsonaro, na noite de quarta-feira (21).
Segundo Duarte, ele filmava a movimentação da calçada em frente à sede do partido quando um participante teria deixado o trajeto, aproximado a motocicleta e desferido um tapa, derrubando o celular. O condutor também teria direcionado o veículo contra outro integrante da legenda.

Uma gravação de aproximadamente 14 segundos mostra um motociclista de camiseta amarela se aproximando e, em seguida, um movimento brusco da câmera. As imagens, isoladamente, não permitem confirmar o tapa relatado nem identificar o condutor. Até a divulgação do caso, não havia informação sobre registro de boletim de ocorrência. O PT informou que adotaria as medidas cabíveis.
A motociata contou com a participação de Reinaldo Azambuja, do deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro, do prefeito Cassiano Maia e de outras lideranças. A presença deles no evento não indica envolvimento na agressão denunciada, atribuída exclusivamente a um motociclista ainda não identificado.
O caso ocorreu um dia depois de uma professora relatar ter sido atacada e alvo de ofensas racistas durante manifestações políticas em Campo Grande. Os episódios ainda dependem de apuração para esclarecer as circunstâncias e responsabilidades.
Assédio eleitoral em MS
Paralelamente à violência nas ruas, cresceram as denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho. O Ministério Público do Trabalho recebeu 29 relatos em Mato Grosso do Sul até quinta-feira (22), contra 11 contabilizados até o primeiro turno. Os 18 novos registros representam aumento de 164%.
O assédio eleitoral ocorre quando empregadores ou superiores utilizam ameaças, constrangimentos, promessas de benefícios ou outras formas de pressão para interferir no voto e na preferência política dos trabalhadores. As denúncias são tratadas como possíveis irregularidades e precisam ser investigadas individualmente.
O MPT manterá plantão durante o fim de semana da eleição. Os relatos poderão continuar sendo apresentados depois da votação, inclusive quando envolverem mensagens enviadas por grupos corporativos ou outros ambientes digitais.
Com atos dos dois campos políticos previstos até a véspera da votação, o desafio das autoridades será assegurar que a mobilização eleitoral ocorra sem intimidação, violência ou desrespeito à liberdade de escolha dos eleitores.






