Mato Grosso do Sul perderá duas ligações diretas operadas pela Gol a partir de fevereiro de 2027. A companhia encerrará os voos entre Campo Grande e o Galeão, no Rio de Janeiro, e entre Bonito e Congonhas, em São Paulo.
A redução faz parte de uma reorganização nacional que alcançará dezenas de rotas. Segundo a Gol, o preço do querosene de aviação dobrou e passou a representar cerca de 40% dos custos operacionais da empresa.
O corte ocorre poucos meses depois da retomada da conexão entre Campo Grande e o Rio. Em Bonito, a companhia mantinha a ligação com Congonhas havia quase cinco anos. Apesar da retirada da Gol, o destino turístico continuará atendido pela Azul, com voos para Campinas, e pela Latam, que ampliará para três as frequências semanais com Guarulhos a partir de 25 de outubro.
Levantamento sobre os demais aeroportos do Estado não identificou, até o momento, outros cancelamentos definitivos anunciados para 2027. Dourados mantém a ligação da Latam com Guarulhos, enquanto Ponta Porã continua recebendo voos da Azul para Campinas.
Em Corumbá, a operação da Azul com Viracopos está confirmada até 30 de novembro de 2026. Autoridades estaduais e municipais negociam a continuidade da rota após essa data, mas ainda não há confirmação de encerramento definitivo.

Três Lagoas permanece fora da aviação comercial há 19 meses
A situação mais crítica continua sendo a de Três Lagoas. O município está sem voos comerciais regulares desde 10 de março de 2025, quando a Azul encerrou a única rota existente, que ligava a cidade a Campinas.
Na ocasião, a companhia atribuiu a decisão ao aumento dos custos operacionais, à valorização do dólar, às dificuldades na cadeia de suprimentos e à reorganização da frota. Passados aproximadamente 19 meses, nenhuma empresa anunciou oficialmente a retomada das operações no Aeroporto Plínio Alarcon.
O terminal foi incluído em discussões federais sobre concessões e investimentos em aeroportos regionais, com possibilidade de receber melhorias para viabilizar operações de aeronaves comerciais. Entretanto, ainda não existe companhia, destino ou prazo confirmado para o retorno dos voos.
A ausência de conectividade aérea contrasta com a expansão econômica de Três Lagoas, impulsionada pelas indústrias de celulose, pela retomada da fábrica de fertilizantes e pelo aumento do fluxo de trabalhadores, executivos e prestadores de serviços. Atualmente, quem precisa viajar de avião recorre principalmente aos aeroportos de Araçatuba, Presidente Prudente ou Campo Grande, enfrentando deslocamentos terrestres adicionais.
Com os cortes anunciados pela Gol, o Estado perde opções diretas justamente quando tenta fortalecer o turismo e atrair novos investimentos. A situação evidencia a vulnerabilidade dos municípios do interior, muitos deles dependentes de uma única companhia ou rota para permanecerem conectados aos principais centros do País.






