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MS bate recorde na silvicultura e coloca sete municípios do Vale da Celulose entre os 20 maiores do Brasil

Pesquisa do IBGE mostra lideranças distintas no setor: Três Lagoas gerou R$ 1,83 bilhão em receita e Ribas do Rio Pardo alcançou 537 mil hectares de florestas plantadas

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com dois municípios no topo da silvicultura brasileira, mas em indicadores diferentes. Três Lagoas alcançou o maior valor de produção florestal do país, com R$ 1,83 bilhão, enquanto Ribas do Rio Pardo passou a reunir a maior área de florestas plantadas, com aproximadamente 537 mil hectares.

A distinção é importante: o valor da produção considera o resultado econômico obtido com os produtos da silvicultura ao longo do ano. A área plantada, por sua vez, corresponde à extensão ocupada pelas florestas comerciais, independentemente de terem sido colhidas naquele período.

Os dados fazem parte da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento acompanha a produção, o valor movimentado e as áreas ocupadas por cultivos florestais em todo o país.

O resultado de Três Lagoas representa crescimento nominal de 216,3% em comparação com 2024. O valor mais que triplicou em um ano e colocou o município na primeira posição nacional, seguido justamente por Ribas do Rio Pardo, com aproximadamente R$ 1 bilhão.

Trabalhadores em floresta da Suzano em Ribas do Rio Pardo/cedida

Três Lagoas converte florestas em produção industrial

Um dos primeiros municípios de Mato Grosso do Sul a receber plantios comerciais de eucalipto, Três Lagoas construiu ao longo das últimas décadas uma cadeia que conecta a floresta às grandes unidades industriais.

Essa estrutura ajuda a explicar por que o município lidera o ranking econômico mesmo possuindo uma área plantada menor que a de Ribas do Rio Pardo. A concentração de fábricas, operações florestais, fornecedores e estruturas logísticas permite que uma parcela expressiva da madeira produzida seja colhida e direcionada à fabricação de celulose.

Em 2025, a madeira em tora destinada à produção de papel e celulose respondeu por 98,9% do valor da produção florestal de Três Lagoas.

O volume produzido para essa finalidade passou de 5,6 milhões para 7,9 milhões de metros cúbicos em apenas um ano, crescimento de 40,5%.

Três Lagoas possuía 348,1 mil hectares de florestas plantadas, extensão inferior aos 537 mil hectares registrados em Ribas do Rio Pardo. Ainda assim, a intensidade da atividade produtiva e o valor da madeira destinada à indústria colocaram o município na liderança financeira da silvicultura nacional.

O protagonismo três-lagoense também possui caráter histórico. Antes da recente expansão da cadeia florestal para outros municípios da região leste, a cidade já concentrava plantios de eucalipto e operações ligadas ao aproveitamento comercial da madeira.

Esse processo ganhou escala com a instalação das fábricas de celulose e consolidou Três Lagoas como referência industrial do setor. A expansão posterior alcançou municípios como Ribas do Rio Pardo, Inocência, Brasilândia, Santa Rita do Pardo e Bataguassu.

Fábrica da Eldorado Brasil em Três Lagoas/cedida

MS amplia área plantada e bate recorde de produção

No conjunto estadual, o valor da produção florestal, formado pela silvicultura e pelo extrativismo vegetal, chegou a R$ 5,65 bilhões em 2025. O resultado representa avanço de 62,8% sobre o ano anterior e estabelece um novo recorde para Mato Grosso do Sul.

A silvicultura respondeu por R$ 5,62 bilhões desse total, alta de 65,3%. Com esse desempenho, o Estado alcançou a terceira posição nacional em valor da produção de florestas plantadas, atrás de Minas Gerais e Paraná.

A atividade foi registrada em 70 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. Sete cidades do Estado ficaram entre as 20 maiores do Brasil em valor da produção da silvicultura:

  • Três Lagoas, em primeiro lugar;
  • Ribas do Rio Pardo, em segundo;
  • Brasilândia, em quarto;
  • Água Clara, em oitavo;
  • Inocência, em décimo;
  • Santa Rita do Pardo, em 19º;
  • Bataguassu, em 20º.
Área florestal da Suzano na região leste de MS/cedida

Os produtos madeireiros, formados por lenha e madeira em tora, representaram 90,1% do valor da produção florestal estadual. O crescimento desse grupo foi de 73,8% em relação a 2024.

A madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose movimentou aproximadamente R$ 5,16 bilhões, equivalente a 91,7% de toda a silvicultura de Mato Grosso do Sul.

O Estado produziu 30,6 milhões de metros cúbicos de madeira em tora, crescimento de 17,6%, e subiu para a segunda posição nacional nesse segmento. A produção de lenha, por outro lado, caiu 52,8%, para 1,7 milhão de metros cúbicos.

A área estadual ocupada pela silvicultura avançou 30,34% em um ano, passando de 1,46 milhão para 1,90 milhão de hectares. Mato Grosso do Sul passou a responder por 18,33% de toda a área de florestas comerciais do Brasil e ocupa a segunda colocação nacional, atrás de Minas Gerais, que possui 2,21 milhões de hectares.

O eucalipto representa 99,7% das florestas plantadas no Estado, com 1,89 milhão de hectares. O pinus ocupa os 0,3% restantes, somando 5.693 hectares.

Os números reforçam a concentração da atividade no Vale da Celulose, denominação oficializada pela Lei Estadual nº 6.404, de maio de 2025. A região reúne municípios ligados à produção de madeira, celulose, logística e serviços florestais.

Dentro desse cenário, Três Lagoas permanece como líder nacional em valor gerado, enquanto Ribas do Rio Pardo assume a dianteira em extensão plantada — dois indicadores diferentes que demonstram a força adquirida pela cadeia florestal na região leste de Mato Grosso do Sul.

1 Comment

  1. Adalberto Andrighetti

    setembro 25, 2026

    Pena que a fauna e a flora, nesse tipo de florestas plantadas, é pobre, não tem alimento para os animais nem diversidade da flora para reflorestamento natural!

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