Içamento de estruturas de 92 toneladas marca nova etapa da ferrovia que ligará o Projeto Sucuriú à malha nacional
A futura ferrovia da Arauco começou a ganhar uma de suas estruturas mais imponentes em Inocência. Dezoito vigas estão sendo içadas para formar a sustentação da ponte ferroviária sobre o córrego São Mateus, considerada uma das etapas mais complexas da implantação do ramal.
A ponte já atingiu 70% de execução, enquanto o conjunto das obras ferroviárias chegou a 50,8%. A expectativa é concluir a instalação das vigas até o fim de setembro.
Cada peça possui aproximadamente 30 metros de comprimento, três metros de altura e pesa 92 toneladas. As vigas sustentarão o tabuleiro sobre o qual serão instalados o lastro, os dormentes e os trilhos da ferrovia.
Quando concluída, a ponte terá 270 metros de extensão e seis metros de largura. A estrutura de concreto armado exige 132 estacas do tipo raiz, cerca de 9 mil metros cúbicos de concreto e 500 toneladas de aço.
Operação exige planejamento
O presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras, classificou a construção como um dos momentos mais relevantes do ramal devido à complexidade técnica e à necessidade de integração entre diferentes equipes.
“A construção da ponte é um momento importante na implantação da ferrovia porque envolve diversos aspectos técnicos que precisam acontecer de maneira muito planejada para que a obra seja concluída de modo satisfatório”, afirmou.
Segundo o executivo, o avanço demonstra que as diferentes frentes do Projeto Sucuriú seguem alinhadas aos requisitos de segurança, qualidade e cumprimento do cronograma.
Para o diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, Alberto Pagano, o início do içamento representa um marco na construção. Ele destacou que a operação foi planejada para preservar a segurança dos trabalhadores e reduzir impactos ao meio ambiente e às comunidades próximas.
O prazo também é considerado decisivo pela Construcap, responsável pela execução da linha férrea. De acordo com o diretor de obras da empresa, Marco Aurélio Costa Guimarães, o lançamento das vigas precisava avançar durante o período de menor incidência de chuvas.
O contramestre Ademar Rodrigues de Assis, que acompanha os serviços desde o início, ressaltou a dimensão simbólica da etapa. “Quando a gente começa uma obra do zero e depois vê tudo chegando a esse estágio, com as vigas sendo lançadas e sabendo que daqui a pouco o trem vai passar por aqui, isso é motivo de orgulho”, declarou.
Ferrovia será estratégica para escoar celulose
O ramal ferroviário integra a estrutura logística montada para atender à futura fábrica de celulose da Arauco. A linha permitirá o transporte da produção a partir de Inocência, com conexão à malha ferroviária nacional.
A solução deverá ampliar a eficiência do escoamento, reduzir a dependência do transporte rodoviário de longa distância e oferecer maior capacidade para movimentar o volume produzido pela unidade.
O Projeto Sucuriú representa a entrada da divisão de celulose da companhia no Brasil. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, a fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano.
O empreendimento ocupa uma área de 3,5 mil hectares, próxima ao Rio Sucuriú e distante aproximadamente 50 quilômetros do perímetro urbano de Inocência. A terraplanagem teve início em 2024, e a previsão é de que a fábrica comece a operar no fim de 2027.
No pico das obras, o projeto deverá gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Após a entrada em funcionamento, a estimativa é manter cerca de 6 mil trabalhadores nas operações industriais, florestais e logísticas.
Presença da Arauco no Brasil
A Arauco atua no Brasil desde 2002 e emprega aproximadamente 3,5 mil pessoas. Atualmente, mantém cinco unidades industriais nos segmentos florestal, de painéis, molduras, resinas e produtos químicos.
As fábricas estão instaladas em Jaguariaíva, Ponta Grossa, Piên e Araucária, no Paraná, e em Montenegro, no Rio Grande do Sul. A unidade de Inocência será a primeira planta brasileira da companhia destinada à produção de celulose branqueada.
As florestas de eucalipto cultivadas pela empresa no país possuem certificação do Forest Stewardship Council (FSC), voltada ao reconhecimento de práticas ambientalmente adequadas, socialmente responsáveis e economicamente viáveis. A companhia também mantém certificações relacionadas à rastreabilidade da madeira utilizada em seus processos industriais.


