Governador prometeu mobilizar aliados pela candidatura presidencial do PL; manifestação em Campo Grande também teve discursos contra o governo federal e o STF
O ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, transformou-se em demonstração pública da aliança entre o governador Eduardo Riedel (PP) e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Diante de apoiadores da direita, Riedel afirmou que atuará diretamente para eleger o senador ao Palácio do Planalto.
Candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul, o governador participou da manifestação ao lado de lideranças como o ex-governador Reinaldo Azambuja e os candidatos ao Senado Renan Contar e o próprio Azambuja. A senadora Tereza Cristina também discursou.
Ao comentar como o Estado poderia contribuir para o projeto nacional defendido pelo grupo, Riedel citou políticas adotadas por sua administração e prometeu mobilizar eleitores até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
“Primeiro, trabalhando pela eleição dele. Até 4 de outubro, mobilizando pessoas pela eleição do Flávio. Depois disso, participando diretamente de um projeto de País”, declarou.
O posicionamento aproxima formalmente a campanha estadual da disputa presidencial. Além do apoio a Flávio Bolsonaro, o governador defendeu a eleição de candidatos de centro-direita para a Assembleia Legislativa, a Câmara dos Deputados e o Senado.
Governador critica falta de planejamento nacional
Em seu pronunciamento, Riedel contrapôs o modelo administrativo de Mato Grosso do Sul à condução das políticas públicas federais. Segundo ele, o país carece de uma agenda estruturada de desenvolvimento e enfrenta decisões tomadas com pouca antecedência.
O governador afirmou que medidas formuladas “de afogadilho” e influenciadas pelo calendário eleitoral aumentam a insegurança institucional. Também relacionou a previsibilidade jurídica à capacidade de atrair investimentos privados.
Na avaliação de Riedel, Mato Grosso do Sul tem recebido capital estrangeiro por transmitir credibilidade, respeitar contratos e oferecer condições mais estáveis aos investidores. A declaração foi usada para defender a participação do Estado na construção de um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro.
Azambuja pede voto casado à direita
Candidato ao Senado pelo PL, Reinaldo Azambuja apresentou o grupo político como uma frente unificada. Em seu discurso, pediu votos para a reeleição de Riedel, para os postulantes de direita ao Legislativo e para Flávio Bolsonaro.
O ex-governador afirmou que a eleição presidencial seria decisiva para “libertar o Brasil” do que classificou como uma ditadura. A acusação, recorrente em manifestações bolsonaristas, foi feita como crítica às instituições nacionais.
Também candidato ao Senado pelo PL, Renan Contar adotou um discurso de polarização. Ele dividiu a disputa entre o grupo governista e os adversários de direita, fez críticas à administração federal e alertou para a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar novos ministros ao Supremo Tribunal Federal em um eventual mandato.
Durante a fala, Contar associou o atual cenário nacional à corrupção, ao endividamento e à insegurança econômica. As acusações foram apresentadas em tom político, sem detalhamento ou provas durante o ato.
Supremo domina parte dos discursos
As críticas ao STF ocuparam espaço central na manifestação. Tereza Cristina falou sobre a composição futura do Senado e afirmou que o Brasil enfrenta uma crise institucional.
A senadora cobrou do presidente do Supremo, Edson Fachin, a divulgação de denúncias, mas não especificou a quais episódios se referia. Ela também declarou apoio ao ministro André Mendonça e criticou uma possível mudança de relatoria envolvendo o magistrado.
Entre os manifestantes, faixas e cartazes tinham como alvo o ministro Alexandre de Moraes. A frase “Fora, Moraes!” apareceu durante o bandeiraço realizado em frente ao trio elétrico.
Manifestantes defendem mudanças políticas
A aposentada Lucineia Estácio, de 67 anos, acompanhou a mobilização com o marido. Ela afirmou que decidiu participar em defesa da família, do agronegócio, da geração de empregos e da segurança.
O servidor público Israel Ferreira, de 46 anos, chegou ao local em uma motociata. Ele defendeu mudanças nas regras aplicadas aos ministros do Supremo e uma reforma política.
O ato começou por volta das 16h, em frente ao Bioparque Pantanal, nos altos da Avenida Afonso Pena. A concentração de pessoas e veículos provocou lentidão pontual no trânsito da região.
Sem estimativa oficial de público, a manifestação funcionou principalmente como uma vitrine eleitoral da aliança de direita em Mato Grosso do Sul. O apoio declarado por Riedel a Flávio Bolsonaro colocou a disputa presidencial no centro da campanha estadual e indicou que o grupo pretende trabalhar de maneira integrada até a votação de outubro.


