Estado já tem 4,9 milhões de toneladas negociadas antes da colheita; ritmo supera o registrado há um ano e a média das últimas cinco safras
Antes mesmo de a soja da temporada 2026/27 chegar aos armazéns, quase um terço da produção esperada em Mato Grosso do Sul já encontrou comprador. A valorização das cotações internacionais e a demanda aquecida levaram os produtores do Estado a acelerar a comercialização antecipada.
Levantamento da Safras & Mercado indica que 4,9 milhões de toneladas foram comprometidas até o início de setembro. O volume corresponde a aproximadamente 30% de uma colheita estadual projetada em 16,6 milhões de toneladas.
O avanço chama a atenção quando comparado aos anos anteriores. No mesmo período da temporada passada, Mato Grosso do Sul havia comercializado 21% da produção estimada. A média das cinco safras anteriores para esta época do calendário é de 22,3%.
A antecipação permite ao produtor aproveitar momentos de valorização e garantir parte da receita antes da colheita. Esse tipo de operação também pode ser utilizado para cobrir despesas com sementes, fertilizantes, defensivos, combustível e outros componentes do custo de produção.
Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, as condições oferecidas para a nova safra estão mais favoráveis do que as observadas no ciclo anterior. A dúvida, daqui para frente, estará sobre o desempenho das lavouras e a produtividade que será efetivamente alcançada.
Mato Grosso do Sul acompanha avanço nacional
O movimento não está restrito ao Estado. Até 4 de setembro, os produtores brasileiros haviam negociado 29,1% da safra nacional 2026/27, estimada em 180,08 milhões de toneladas.
Na prática, cerca de 52,42 milhões de toneladas já estavam comprometidas. Há um ano, o índice nacional de comercialização antecipada era de 20,2%. A média das últimas cinco temporadas chega a 22,7%.
A estratégia indica que parte dos produtores aproveitou a melhora das cotações para proteger as margens. O avanço dos contratos, entretanto, exige cautela: comprometer uma parcela muito elevada antes de conhecer o potencial real da lavoura pode aumentar o risco em caso de perda de produtividade.
Silveira avalia que o momento é interessante para assegurar os custos, mas considera necessário acompanhar o desenvolvimento da safra antes de avançar de maneira mais agressiva nas vendas.
Safra anterior chega a 82% comercializada
Enquanto os negócios da nova temporada aceleram, Mato Grosso do Sul ainda finaliza o escoamento da soja 2025/26. O Estado já negociou 13,772 milhões de toneladas de uma produção calculada em 16,795 milhões de toneladas.
O volume representa 82% da safra. Apesar do percentual elevado, o índice permanece abaixo da média de 85,8% registrada nas últimas cinco temporadas para esta época do ano.
A soja disponível encerrou a semana com valores superiores a R$ 160 por saca nos portos brasileiros. A valorização cria espaço para novas vendas, mas a decisão de negociar depende das condições de armazenagem, das necessidades de caixa e da estratégia adotada por cada produtor.
O cenário revela dois movimentos simultâneos em Mato Grosso do Sul: a conclusão mais lenta da comercialização da safra anterior e uma corrida mais rápida para garantir preços na temporada que ainda será cultivada.


