A formação de novos profissionais capazes de ampliar a aplicação do conhecimento científico no campo tornou-se uma das frentes de trabalho do Projeto Regenera Cerrado. Durante a primeira fase da iniciativa, aproximadamente 20% dos recursos foram destinados a bolsas para estudantes de cursos técnicos, graduação, mestrado e doutorado envolvidos nas pesquisas sobre agricultura regenerativa.
O investimento em formação ocorre paralelamente aos estudos desenvolvidos em propriedades rurais e amplia o alcance do conhecimento produzido pelo projeto. Ao participarem das pesquisas, estudantes e pesquisadores em formação acompanham avaliações realizadas em condições comerciais de produção, mantêm contato com produtores rurais e atuam junto a diferentes áreas científicas. A experiência permite compreender, de forma integrada, os efeitos ambientais, agronômicos, econômicos e biológicos associados às práticas de agricultura regenerativa.
Na avaliação da Cargill, patrocinadora do Regenera Cerrado, a formação profissional integra uma das características mais significativas do projeto: a construção de uma rede que aproxima produtores rurais, pesquisadores e mercado em uma abordagem pré-competitiva. Essa articulação favorece a circulação de conhecimento entre diferentes atores e amplia as possibilidades de aplicação dos resultados produzidos pelas pesquisas.
Segundo Jorge Gustavo, analista de Sustentabilidade para América Latina do negócio agrícola da Cargill, outro diferencial está na participação dos produtores na definição das demandas investigadas. “O Regenera Cerrado desenvolve suas pesquisas a partir de questões que fazem parte da realidade dos produtores rurais. Ao colocar quem está no campo no centro desse processo, o projeto aproxima a produção científica dos desafios dos sistemas produtivos e aumenta as possibilidades de que o conhecimento gerado seja incorporado à tomada de decisão”, afirma.
Para Eliana Fontes, pesquisadora da Embrapa e responsável pela coordenação técnico-científica do Regenera Cerrado, a produção de evidências é essencial para que a agricultura regenerativa avance para além de conceitos genéricos e seja avaliada a partir de resultados observados e mensurados no campo.
“A consolidação da agricultura regenerativa exige conhecimento científico capaz de identificar como diferentes práticas respondem às condições de cada sistema produtivo. A pesquisa permite medir resultados, comparar manejos e identificar em quais contextos as práticas apresentam maiores benefícios. Além disso, a partir dos dados comprovados, produtores, técnicos e demais profissionais encontram bases mais consistentes para orientar suas decisões no campo”, explica.
Formação profissional amplia o alcance da pesquisa
A participação de estudantes de graduação e pós-graduação amplifica a circulação do conhecimento produzido pelo Regenera Cerrado para além do período de execução das pesquisas. Ao ingressarem em universidades, instituições de pesquisa, propriedades rurais, consultorias ou empresas do agronegócio, esses profissionais levam consigo metodologias, resultados e novas questões surgidas a partir da experiência científica.
Na avaliação da Cargill, a dinâmica observada na troca de experiências é responsável por aumentar o reconhecimento do projeto, já que associa produção de conhecimento à formação de especialistas preparados para interpretar e aplicar práticas de agricultura regenerativa em diferentes contextos produtivos.
“Quando parte dos recursos de uma pesquisa é direcionada à formação de estudantes, o resultado não se encerra com a conclusão de um experimento ou de uma etapa do projeto. Os futuros profissionais ganham uma experiência adquirida em condições reais de produção e uma visão integrada dos sistemas regenerativos. Esse repertório pode contribuir para reduzir barreiras na adoção e aproximar o conhecimento científico das decisões tomadas no campo”, destaca Jorge Gustavo.
A qualificação de novos pesquisadores também estabelece uma compreensão mais ampla dos sistemas produtivos regenerativos, nos quais fatores relacionados ao solo, plantas, biodiversidade, manejo, clima e desempenho econômico precisam ser analisados de forma articulada.
Segundo Eliana Fontes, o envolvimento em uma iniciativa multidisciplinar colabora para a formação de pesquisadores e técnicos preparados para interpretar resultados a partir das relações entre diferentes áreas do conhecimento.
“Esse contato com diferentes campos da pesquisa ajuda o estudante a desenvolver um olhar científico mais abrangente sobre os sistemas agrícolas. Ele aprenderá que os resultados não devem ser analisados de forma isolada e que novas evidências geram outras perguntas para investigação. Nesse sentido, a formação oferece a capacidade de produzir conhecimento cada vez mais consistente sobre agricultura regenerativa”, conclui a especialista.
Nos próximos anos, o Regenera Cerrado pretende aprofundar o conhecimento sobre a resposta dos sistemas produtivos a diferentes manejos, considerando fatores agronômicos, ambientais e econômicos. A proposta é reunir informações que ajudem os produtores a comparar alternativas, avaliar custos e benefícios e tomar decisões mais consistentes diante das condições específicas de cada propriedade.
Projeto Regenera Cerrado
Idealizado pelo Instituto Fórum do Futuro em 2022, o Regenera Cerrado tem como propósito disseminar práticas de agricultura regenerativa validadas cientificamente, oferecendo um modelo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e o mundo.
Na segunda fase de trabalho, o projeto segue com o patrocínio da Cargill, conta com a coordenação técnico-científica da Embrapa e execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS), além da parceria de sete instituições nacionais e 8 fazendas localizadas na região de Rio Verde, no sudoeste goiano.
As instituições parceiras são: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), Instituto Federal Goiano, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).


