A preparação para ampliar as obras da Rota da Celulose chegou à etapa de montagem da estrutura industrial que sustentará os serviços. Uma construtora solicitou autorização ambiental para instalar, em Ribas do Rio Pardo, um canteiro, uma usina de asfalto e um tanque de combustível.
Os equipamentos serão utilizados na restauração e na manutenção de 154 quilômetros das rodovias MS-040, MS-338 e MS-395. Os trechos fazem parte do lote 2 da concessão administrada pela Caminhos da Celulose.
O pedido de Licença de Instalação e Operação foi apresentado pela Vale do Rio Novo Engenharia e Construções ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. A solicitação foi publicada na edição de 7 de agosto do Diário Oficial do Estado.
A publicação não significa que o funcionamento das estruturas já esteja autorizado. O Imasul ainda deverá analisar o processo e verificar o cumprimento das exigências ambientais.
A usina terá a função de preparar a mistura aplicada na recuperação do pavimento. A instalação próxima aos trechos reduz a distância de transporte do material e permite abastecer simultaneamente diferentes frentes de serviço.
O canteiro concentrará trabalhadores, máquinas, equipamentos e atividades administrativas. Já o tanque armazenará combustível utilizado por caminhões e veículos empregados nas intervenções.
As três estruturas serão temporárias e deverão funcionar somente como apoio à execução das obras. Mesmo com duração limitada, a instalação exige controle ambiental devido ao risco de vazamentos, geração de resíduos, emissão de partículas e movimentação de materiais.
O licenciamento deverá estabelecer regras para armazenamento de combustível, prevenção de acidentes, controle da poluição e recuperação da área depois da desmontagem.
Autorização não abrange toda a Rota da Celulose
O pedido apresentado ao Imasul está restrito às instalações de apoio do lote 2. Ele não representa uma licença única para todos os 870 quilômetros da concessão.
A malha reúne rodovias estaduais e federais, submetidas a competências ambientais distintas. Nos trechos da MS-040, MS-338 e MS-395, o processo tramita no órgão estadual.
A situação é diferente nas BRs 262 e 267. Por serem rodovias federais, os procedimentos ambientais envolvem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
Essa divisão pode fazer com que o cronograma avance em ritmos diferentes: enquanto as estruturas destinadas às estradas estaduais já chegaram ao Imasul, parte das intervenções federais ainda depende da definição sobre quem conduzirá as análises.
O Governo de Mato Grosso do Sul pediu ao Ibama autorização para que o Imasul assuma a condução de parte do licenciamento relacionado às obras das BRs 262 e 267.
A solicitação foi apresentada pelo governador Eduardo Riedel durante reunião no Ministério do Meio Ambiente. O argumento é que a descentralização poderia reduzir o tempo de análise e acelerar a liberação das intervenções.
O pedido ainda depende de avaliação federal. Portanto, o Imasul não recebeu automaticamente competência para licenciar os trechos das duas BRs.
Como referência, o Estado citou o acordo firmado entre o Ibama e a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco. O instrumento delegou ao órgão pernambucano o licenciamento de obras de duplicação, adequação e restauração de segmentos da BR-232.
O acordo de Pernambuco tem validade de dez anos e preserva ao Ibama a possibilidade de acompanhar ou retomar os processos. Um eventual entendimento com Mato Grosso do Sul precisaria definir quais atividades seriam delegadas e as responsabilidades de cada órgão.
Corredor receberá R$ 10,1 bilhões em 30 anos
A Rota da Celulose conecta Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Três Lagoas e Bataguassu. O sistema possui 870 quilômetros e reúne trechos das MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267.
A concessão foi assumida pela Caminhos da Celulose em fevereiro de 2026, com prazo de 30 anos. O contrato prevê R$ 10,1 bilhões durante o período.
Desse total, R$ 6,9 bilhões deverão ser destinados a obras e melhorias. Outros R$ 3,2 bilhões correspondem aos custos de operação, manutenção e atendimento aos usuários.
A implantação da usina de asfalto e do canteiro indica a preparação para uma etapa mais intensa das obras estaduais. O ritmo efetivo, porém, dependerá da emissão da licença e do cumprimento das condicionantes ambientais. Nos trechos federais, permanece a expectativa por uma resposta do Ibama sobre a possível participação do Imasul.


