Uma promessa de trabalho com rendimento diário de R$ 800 levou um caminhoneiro de 56 anos a permanecer cerca de quatro horas em contato com um suposto recrutador. Ao final da abordagem, ele constatou um prejuízo de R$ 16,8 mil.
O caso começou com um anúncio publicado em uma rede social. A oportunidade oferecia a possibilidade de agregar um caminhão à frota de uma transportadora com atuação nacional.
Interessado, o motorista acessou o link da publicação e foi encaminhado para uma conversa no WhatsApp. Do outro lado estava um homem que se apresentou apenas como Gabriel.
Os primeiros contatos ocorreram nos dias 3 e 4 de agosto. Durante as conversas, o suposto representante explicou como funcionariam os fretes e informou que o caminhoneiro poderia receber R$ 800 por dia.
Na segunda-feira (10), o falso recrutador voltou a procurar a vítima e propôs uma videochamada para concluir a integração do veículo à transportadora.
A conversa durou aproximadamente quatro horas. Durante o contato, o caminhoneiro recebeu a orientação de permanecer imóvel diante da câmera para que uma fotografia fosse feita e supostamente incluída no cadastro da empresa.
Em seguida, o homem pediu que a vítima ativasse o compartilhamento da tela do celular. Esse recurso permite que a outra pessoa acompanhe, em tempo real, tudo o que aparece no aparelho, incluindo notificações, códigos e aplicativos acessados.
O boletim de ocorrência informa que o prejuízo chegou a R$ 16,8 mil, mas não detalha quais transações foram realizadas nem como os criminosos conseguiram movimentar o dinheiro.
Também não foi informado se os valores foram retirados de uma única conta, transferidos por Pix ou utilizados em operações de crédito.
Caso será investigado como fraude eletrônica
O caminhoneiro procurou a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro, em Campo Grande. A ocorrência foi registrada como fraude eletrônica e deverá ser investigada pela Polícia Civil.
Até o momento, o suspeito não foi identificado. Também não há confirmação de que o anúncio tivesse qualquer ligação com a transportadora cujo nome teria sido usado para atrair a vítima.
O episódio chama atenção para golpes que simulam processos seletivos. Empresas legítimas não precisam acompanhar a tela do celular do candidato nem solicitar acesso a aplicativos bancários, senhas ou códigos de autenticação para realizar uma contratação.
Quem encontrar uma oportunidade pelas redes sociais deve confirmar a vaga diretamente nos canais oficiais da empresa. Também é recomendável interromper o contato diante de pedidos para compartilhar a tela, acessar bancos durante chamadas ou fornecer códigos recebidos por mensagem.


