A Suzano liberou 153,8 milhões de insetos para combater pragas nas plantações de eucalipto de Mato Grosso do Sul em 2025. Segundo a companhia, a estratégia reduziu em 59% a aplicação de defensivos pulverizados e diminuiu em 48% o consumo de água destinado a esse tipo de operação.
Os organismos foram distribuídos por 177,2 mil hectares de florestas cultivadas. Em 92,5% das áreas atendidas, não houve necessidade de uma segunda intervenção depois da liberação dos controladores biológicos.
A produção aumentou 50% em comparação com 2024, quando foram utilizados 93 milhões de insetos. Além das joaninhas, o programa passou a empregar em maior escala pequenas vespas parasitoides, capazes de interromper o desenvolvimento das pragas sem atacar o eucalipto.
Insetos substituem parte do controle químico
O sistema é utilizado contra lagartas desfolhadoras, psilídeo-de-concha, vespa-da-galha e percevejo-bronzeado. Esses organismos podem comprometer as folhas, reduzir o crescimento das árvores e causar perdas nos plantios.
Cada biocontrolador possui uma função específica. As joaninhas da espécie Olla v-nigrum, por exemplo, alimentam-se dos ovos do psilídeo-de-concha.
Já os parasitoides Trichospilus diatraeae e Tetrastichus howardi atuam nas pupas das lagartas desfolhadoras. As pequenas vespas utilizam a praga como hospedeira durante sua reprodução e interrompem sua evolução antes da fase adulta.
Outras espécies empregadas são Quadrastichus mendeli e Selitrichodes neseri, voltadas ao enfrentamento da vespa-da-galha, e Cleruchoides noackae, utilizada contra os ovos do percevejo-bronzeado.
O programa de biocontrole florestal foi iniciado em 2021, com aproximadamente 910 mil organismos. Em quatro anos, a quantidade produzida e utilizada em Mato Grosso do Sul superou 153 milhões.
A ampliação ocorreu com investimentos em laboratórios, tecnologia de reprodução e treinamento das equipes responsáveis pelo manejo. Os insetos são criados em ambientes controlados antes de serem transportados até as áreas florestais.
Nos cinco primeiros meses de 2026, aproximadamente 44 milhões de organismos já haviam sido liberados em 71,9 mil hectares. Desse total, 43,9 milhões eram parasitoides de lagartas e cerca de 120 mil eram joaninhas.
Para a diretora de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, Maria Carolina Zonete, a utilização de novas espécies permite reduzir a dependência de produtos químicos sem abandonar o controle das pragas.
“Ao incorporar novas espécies, conseguimos tornar o controle natural ainda mais eficiente, reduzindo a dependência de defensivos e os custos operacionais”, afirmou.
Três Lagoas concentra maior produção
Os laboratórios sul-mato-grossenses estão instalados em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Juntas, as estruturas responderam por 32,6% dos 453,2 milhões de organismos utilizados pela Suzano em todo o País durante 2025.
Três Lagoas concentrou a maior parte da produção estadual. A unidade criou 79 milhões de exemplares de Trichospilus diatraeae, 67,8 milhões de Tetrastichus howardi e 113 mil joaninhas.
Em Ribas do Rio Pardo, foram produzidas aproximadamente 48,5 mil joaninhas e um milhão de parasitoides das duas principais espécies utilizadas contra lagartas.
O total liberado nas florestas de Mato Grosso do Sul também contou com organismos enviados pelos laboratórios de Alambari, em São Paulo, e Aracruz, no Espírito Santo.
As equipes acompanham as áreas plantadas para identificar a presença e a concentração de pragas. A partir desse monitoramento, são definidas as espécies, as quantidades e os pontos de soltura.
As liberações ocorrem semanalmente e atendem somente às áreas próprias da companhia. Quando a produção local não é suficiente, os outros laboratórios da empresa complementam o envio.
Embora sejam criados dentro de instalações especializadas, os biocontroladores passam a atuar no ambiente florestal depois da soltura. A empresa avalia que esse método ajuda a equilibrar o controle das pragas, reduzir aplicações químicas e diminuir o impacto operacional do manejo.


