Comer um prato feito ou marmitex durante todos os dias úteis do mês pode consumir de R$ 600 a R$ 700 do orçamento
Encontrar um almoço barato tornou-se uma tarefa cada vez mais difícil em Três Lagoas. Marmitex e pratos feitos são oferecidos, em geral, a partir de R$ 30, enquanto muitas opções já custam R$ 35 ou mais, dependendo do tamanho, do cardápio e da taxa de entrega.
Para quem almoça por quilo, paga em média R$ 50. O cálculo não considera bebidas, entrega, café da manhã, lanches ou jantar.
A realidade local acompanha uma tendência observada em todo o Centro-Oeste, região com o segundo almoço mais caro do país. O preço médio do prato feito chegou a R$ 34,45, atrás apenas do Sul, onde a refeição custa R$ 34,90. Pela média regional, almoçar fora durante 20 dias úteis representa uma despesa mensal de R$ 689.
A jornalista Daniele Gonçalves, que mora no interior de São Paulo, esteve recentemente em Três Lagoas para participar de um evento e percebeu uma diferença significativa nos preços cobrados pelos restaurantes. Segundo ela, os valores encontrados na cidade superam os praticados no município onde vive.
“Os preços das refeições me chamaram bastante a atenção. Achei os valores dos restaurantes bem salgados. Comparando com a cidade onde moro, no interior de São Paulo, percebi que comer fora em Três Lagoas custa, em média, de 15% a 30% mais caro. Para quem visita a cidade ou precisa almoçar fora todos os dias, essa diferença certamente pesa no orçamento”, relatou.
Prato feito acumula aumento em 2026
No Brasil, o preço médio da refeição atingiu R$ 31,90 em junho, segundo o Índice Prato Feito, elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio de São Paulo.
O valor aumentou 5,4% em relação a março e 7,2% desde janeiro. Com esse preço, o trabalhador que almoça fora diariamente gasta cerca de R$ 638 por mês somente com a principal refeição do dia.
O levantamento mostra diferenças entre as regiões. No Sudeste, o prato feito custa, em média, R$ 31,99. Norte e Nordeste apresentam os menores valores, próximos de R$ 30.
Entre a região mais cara e a mais barata, a diferença chega a aproximadamente 16%.
O aumento das refeições prontas não depende apenas dos preços dos ingredientes. Restaurantes também precisam absorver despesas com aluguel, energia elétrica, água, gás, salários, embalagens, transporte, tributos e taxas de serviços financeiros.
Em Três Lagoas, a expansão econômica e industrial também influencia o setor de alimentação. O aumento da circulação de trabalhadores amplia a demanda, ao mesmo tempo que eleva a disputa por imóveis comerciais, mão de obra e serviços. Por isso, mesmo quando arroz, feijão, carne ou hortaliças apresentam redução temporária, o preço final do marmitex pode continuar subindo.
Em junho, o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. A alimentação fora de casa, porém, avançou 0,15%, conforme os dados apresentados pelo IBGE.
O movimento indica que a redução de alguns alimentos ainda não foi suficiente para compensar os demais custos dos estabelecimentos.
Restaurantes também enfrentam pressão
O reajuste do prato feito não significa necessariamente aumento na margem de lucro. Os empresários precisam equilibrar despesas operacionais elevadas com consumidores cada vez mais atentos ao preço.
Elevar demais o valor pode afastar clientes. Por outro lado, segurar os reajustes durante muito tempo compromete a qualidade, o tamanho das porções e a sustentabilidade financeira do negócio.
Procurado para explicar os motivos dos preços mais elevados, um proprietário de churrascaria em Três Lagoas, que preferiu não se identificar, afirmou que os estabelecimentos enfrentam dificuldades para equilibrar as despesas. Segundo ele, parte dos ingredientes e materiais utilizados chega à cidade por valores superiores aos encontrados em municípios do interior paulista.
“Não temos muitas alternativas para manter os preços mais baixos. Em Três Lagoas, vários insumos chegam mais caros, se comparados às cidades do interior de São Paulo, por exemplo. Além dos alimentos, enfrentamos custos elevados com aluguel, energia, gás, embalagens, mão de obra e transporte. Muitas vezes, o reajuste feito no cardápio não significa aumento do lucro, mas apenas uma tentativa de acompanhar as despesas e procurar manter o restaurante funcionando”, explicou.
Para o consumidor, alternativas como levar comida de casa, contratar refeições por semana ou mês e comparar preços entre estabelecimentos podem diminuir as despesas.
Ainda assim, para milhares de trabalhadores que passam o dia fora, comprar o almoço e o jantar continua sendo uma necessidade — há algum tempo, bem mais pesada no orçamento.


