Documento reconhece a viabilidade ambiental da fábrica, mas início das obras ainda depende da licença de instalação
O projeto da Bracell para construir uma fábrica de celulose em Bataguassu avançou mais uma etapa no processo de licenciamento ambiental.
A empresa recebeu na última sexta-feira (24) a licença prévia do empreendimento, que deverá ser instalado nas proximidades da BR-267, a cerca de nove quilômetros da área urbana.
O documento foi entregue pelo governador Eduardo Riedel ao vice-presidente de Assuntos Corporativos da companhia, Julio Gama. Nesta fase, o órgão ambiental avalia a localização e a viabilidade do projeto, além de estabelecer as condições que deverão ser cumpridas nas etapas seguintes.
A licença prévia não autoriza o início da construção. Para executar a terraplanagem e implantar a fábrica, a Bracell ainda precisará obter a licença de instalação.
Uma solicitação anterior havia sido retirada pela própria empresa para ajustes no projeto. O pedido foi reapresentado neste ano e resultou na emissão da licença prévia.
Construção deve mobilizar até 12 mil trabalhadores
O investimento previsto é de aproximadamente US$ 4 bilhões. O cronograma inicial estima 38 meses de obras, sendo quatro meses destinados à terraplanagem e outros 34 à implantação da unidade industrial.
A expectativa da empresa é empregar até 12 mil pessoas no período de maior movimentação do canteiro. Depois do início das operações, a previsão é manter cerca de 2 mil postos de trabalho.
A fábrica deverá processar anualmente 12 milhões de metros cúbicos de madeira de eucalipto provenientes de aproximadamente 300 mil hectares de florestas plantadas.
Parte da base florestal necessária para abastecer a unidade já está em desenvolvimento em Bataguassu, Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e outros municípios da região leste de Mato Grosso do Sul.
Em anos sem paralisações programadas para manutenção, a capacidade prevista no estudo ambiental chega a 2,9 milhões de toneladas de celulose.
Unidade poderá produzir matéria-prima para tecidos
O projeto prevê flexibilidade para fabricar celulose convencional ou solúvel, conforme a demanda do mercado. A celulose solúvel é empregada na fabricação de fibras utilizadas pela indústria têxtil, além de outras aplicações.
Caso essa linha seja efetivamente adotada, a fábrica ampliará a variedade de produtos do setor de celulose em Mato Grosso do Sul. A Bracell já utiliza esse tipo de matéria-prima em sua unidade localizada em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo.
Captação de água será feita no Rio Paraná
A área escolhida fica entre a cidade de Bataguassu e o reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, formado pelo represamento do Rio Paraná.
O projeto prevê a captação de 11 milhões de litros de água por hora. Desse volume, aproximadamente 9 milhões de litros deverão retornar ao reservatório após o uso e o tratamento.
A Bracell afirma que os efluentes passarão por tratamento antes da devolução e que os impactos sobre a qualidade da água serão reduzidos. Essas condições deverão ser acompanhadas pelos órgãos ambientais durante o licenciamento e a operação da fábrica.
Produção poderá seguir por rodovia e ferrovia
A proposta logística inicial prevê que a celulose seja transportada por caminhões pelas rodovias MS-395 e BR-158 até a ferrovia que passa por Aparecida do Taboado. A partir desse ponto, a carga seguiria por trem até o Porto de Santos.
A companhia também estuda alternativas hidroviárias. Em Três Lagoas, a Bracell anunciou um investimento de R$ 100 milhões em uma estrutura portuária para transportar madeira até a fábrica de Lençóis Paulista.
Caso o modelo apresente viabilidade técnica e econômica, o transporte por barcaças poderá ser avaliado também para atender à futura unidade de Bataguassu.
Com o empreendimento, a região leste reforça sua posição como principal polo florestal e de celulose de Mato Grosso do Sul. O avanço efetivo da fábrica, entretanto, permanece condicionado às próximas licenças, ao atendimento das exigências ambientais e à decisão final de investimento da empresa.


