Estrutura entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta foi conectada após quatro anos de construção; conclusão está prevista para setembro
As duas extremidades da Ponte da Rota Bioceânica foram unidas definitivamente na última quinta-feira (23), consolidando a ligação física entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai.
O encontro das estruturas, conhecido tecnicamente como “beijo da ponte”, encerra uma das etapas mais complexas do projeto. A construção atravessou o Rio Paraguai simultaneamente pelos lados brasileiro e paraguaio até alcançar o ponto central.
Após a conexão, equipes técnicas iniciaram levantamentos topográficos e verificações nos tirantes que sustentam a estrutura. As medições apontaram diferenças de poucos milímetros no alinhamento e na altura em relação ao projeto original.
Os dados serão analisados para definir se haverá necessidade de pequenos ajustes de tensão. A ligação estrutural, entretanto, já está concluída.
A ponte ainda não está liberada para o tráfego. Antes da entrega, será necessário concluir a pavimentação asfáltica, as laterais da estrutura, as calçadas, a ciclovia e a instalação dos guarda-corpos.
Também estão previstos barreiras de proteção para veículos, sistemas de segurança para pedestres e a iluminação completa do percurso.
Os 168 tirantes receberão iluminação ornamental. Os portais de entrada dos dois países também serão iluminados por um sistema capaz de alterar as cores remotamente, permitindo a exibição de bandeiras, campanhas e homenagens em datas especiais.
Além da função logística, o projeto deverá criar um novo ponto de interesse turístico na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Construção mobilizou 460 trabalhadores
No período de maior atividade, aproximadamente 460 profissionais trabalhavam diretamente na construção. Cerca de 80% das equipes vieram de outras regiões e permaneceram longe de suas famílias durante parte significativa da execução.
Os serviços foram realizados em condições climáticas extremas, com temperaturas que chegaram a 47°C e variações bruscas ao longo do ano.
Apesar da dimensão e da complexidade da obra, não foram registrados acidentes graves ou fatais. Ocorrências de menor proporção foram contabilizadas durante os quatro anos de trabalho.
A previsão é concluir os serviços restantes até setembro. Depois da entrega, a ponte será uma das principais estruturas da Rota Bioceânica, corredor criado para conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico.
O trajeto atravessará Paraguai e Argentina até alcançar o Chile. A expectativa é reduzir distâncias logísticas, ampliar as alternativas de exportação e fortalecer o comércio entre os países da América do Sul.
A liberação efetiva do tráfego também dependerá da conclusão dos acessos rodoviários e das estruturas aduaneiras necessárias ao funcionamento do corredor internacional.


