A Câmara Municipal de Três Lagoas sediou, na tarde desta quarta-feira (10), o 1º Simpósio Junho Prata, evento voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa reuniu representantes do poder público, instituições de ensino, estudantes e integrantes da Universidade da Melhor Idade (UMI), em uma programação marcada por reflexões sobre direitos, respeito e inclusão.
Promovido por meio de uma parceria entre a Câmara Municipal, a Universidade da Melhor Idade (UMI/UNAPI/UFMS/CPTL), a Prefeitura de Três Lagoas e a Secretaria Municipal de Assistência Social, o encontro teve como tema “Tecnologias e Ancestralidade para o enfrentamento às violências contra a pessoa idosa”.
A ação integra a campanha Junho Prata, realizada em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O plenário recebeu dezenas de idosos participantes da UMI, além de autoridades locais, representantes da assistência social, membros do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e integrantes do Parlamento Jovem.
Ao abrir o evento, o presidente da Câmara, vereador Tonhão, destacou a importância de valorizar a experiência e a contribuição das pessoas idosas para a sociedade.
A coordenadora da UMI/UNAPI, Vanessa Casotti, explicou que a proposta deste ano busca aproximar dois universos que precisam caminhar juntos: a experiência acumulada ao longo da vida e as ferramentas tecnológicas que fazem parte do cotidiano atual.
Segundo ela, muitos idosos não cresceram em uma realidade digital, mas a tecnologia pode ser uma importante aliada na promoção da autonomia, da cidadania e da proteção contra diferentes formas de violência.
“A ancestralidade representa nossa memória, nossa história e nossa identidade. Quando ela se conecta à tecnologia, fortalece a proteção e amplia as possibilidades de participação social da pessoa idosa”, destacou.
O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Márcio Aurélio Oliveira, chamou atenção para formas de violência muitas vezes invisíveis, como a negligência e a discriminação institucional, que afetam milhares de idosos diariamente.
Representando o Executivo Municipal, o secretário de Assistência Social, Fernando Garcia de Brito, ressaltou a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável e à valorização da terceira idade.
Palestra aborda direitos e prevenção
Um dos momentos centrais do simpósio foi a palestra ministrada pelo delegado Felipe Cagliari da Rocha Soares, que abordou os mecanismos de proteção previstos na legislação brasileira e os principais tipos de violência praticados contra idosos.
Durante sua apresentação, o delegado destacou que o respeito à pessoa idosa deve ser tratado como um compromisso coletivo e não apenas como uma obrigação legal.
Ele também alertou para a necessidade de conscientizar diferentes gerações sobre o tema, reforçando que o combate à violência passa pela informação, pelo acolhimento e pela denúncia.
Ao encerrar a palestra, Felipe Cagliari apresentou uma reflexão sobre a importância de unir inovação e memória na construção de uma sociedade mais justa.
“A tecnologia conecta pessoas, mas a ancestralidade conecta gerações. Precisamos das duas para construir um futuro baseado em respeito, dignidade e proteção”, afirmou.
Cultura e valorização da memória
O encerramento do simpósio contou com uma apresentação cultural da ex-vereadora jovem Sara Leite e com a declamação de uma poesia de autoria do vereador Tonhão, inspiradora da canção “Minha Três Lagoas”.
Os versos destacaram a trajetória histórica do município, suas raízes, transformações econômicas e o papel das gerações que ajudaram a construir a cidade ao longo dos anos.
Universidade da Melhor Idade
Ligada à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade da Melhor Idade tem como missão promover o envelhecimento ativo por meio de atividades educativas, culturais, sociais e tecnológicas voltadas a pessoas com 60 anos ou mais.
Entre as ações desenvolvidas estão oficinas de inclusão digital, atividades físicas, debates sobre cidadania e direitos humanos, além de espaços de convivência que estimulam a autonomia, a participação social e a qualidade de vida da população idosa.

