A concessão da Rota da Celulose, considerada um dos maiores projetos de infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul, passou a ser alvo de uma disputa judicial que pode impactar o futuro do empreendimento bilionário. O processo envolve questionamentos sobre a desclassificação do consórcio vencedor do leilão e levanta debates sobre a composição do grupo que assumiu a concessão.
O projeto prevê investimentos estimados em R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos para modernizar e ampliar cerca de 870 quilômetros de rodovias estratégicas para o escoamento da produção industrial e florestal do Estado. Entre as melhorias estão duplicações, terceiras faixas, acostamentos, contornos urbanos e obras de segurança viária.
A controvérsia teve início após a desclassificação do Consórcio K&G, que havia apresentado a melhor proposta durante o leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo. Com a decisão, o contrato foi transferido ao Consórcio Caminhos da Celulose, segundo colocado na disputa, que formalizou o aporte financeiro necessário para assumir a concessão.
Inconformado com o resultado, o grupo excluído recorreu à Justiça alegando irregularidades no processo de habilitação e na análise dos documentos apresentados durante a licitação. O caso está sob análise do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e poderá avançar para instâncias superiores caso não haja decisão favorável ao consórcio.
Além da disputa judicial, o projeto também chama atenção porque duas empresas integrantes do consórcio atualmente responsável pela concessão aparecem em investigações conduzidas por órgãos federais. Apesar disso, até o momento não existe impedimento legal que comprometa a execução do contrato firmado com o Governo do Estado.
A Rota da Celulose é considerada estratégica para o desenvolvimento econômico sul-mato-grossense, especialmente para a região leste do Estado, onde estão concentrados os maiores investimentos da indústria de celulose do país. A expectativa é que as obras ampliem a segurança nas rodovias, reduzam custos logísticos e fortaleçam a competitividade de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.

