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MS amplia influência e entra no centro da disputa pelo comando do Senado

Com Tereza Cristina cotada para a Presidência da Casa, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar defendem uma atuação mais firme do Legislativo diante do Supremo Tribunal Federal

Mato Grosso do Sul deverá ocupar uma posição estratégica nas negociações para a escolha do próximo presidente do Senado. A senadora Tereza Cristina (PP) aparece entre os nomes avaliados para suceder Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enquanto os senadores eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, defendem mudanças na relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A nova configuração transforma a bancada sul-mato-grossense em um núcleo politicamente alinhado dentro do Senado. Além de participar diretamente da escolha do comando da Casa, o grupo pretende apoiar pautas relacionadas à revisão de decisões judiciais, ao equilíbrio entre os Poderes e à análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Tereza Cristina disputa espaço com Rogério Marinho (PL-RN), outro nome forte entre os parlamentares conservadores. Os dois possuem mandato até 2030 e participam das articulações para a eleição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027.

O avanço dessas candidaturas acompanha o fortalecimento da direita nas eleições legislativas. Das 54 cadeiras do Senado que estiveram em disputa, 19 ficaram com o PL, enquanto partidos identificados com o campo conservador conquistaram 30 vagas.

Reinaldo Azambuja afirmou ter participado de uma conversa com Tereza Cristina e Rogério Marinho na qual os dois teriam concordado em não concorrer um contra o outro.

“Os próprios disseram: ‘Nós não vamos disputar um contra o outro’. Então, com certeza, eles têm um entendimento pelo Brasil”, relatou o senador eleito.

Caso o acordo seja mantido, um dos dois deverá retirar a candidatura para concentrar os votos do grupo. A definição dependerá da construção de alianças com outras bancadas e também do resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Nos bastidores, o PL discute a possibilidade de dividir com partidos do Centrão o comando da Câmara dos Deputados e do Senado. Nesse cenário, Marinho aparece como uma das alternativas do partido, enquanto Tereza Cristina poderia reunir apoio de uma composição mais ampla.

Alcolumbre, entretanto, continua no jogo. O atual presidente trabalha para preservar sua influência e pode buscar apoio para permanecer no cargo, o que mantém aberta a disputa pela direção da Casa.

A escolha do próximo presidente do Senado ganhou importância porque o cargo exerce influência direta sobre a pauta da Casa. Entre suas atribuições está a condução dos procedimentos relacionados a pedidos de impeachment de ministros do STF.

O Senado possui competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, além de analisar indicações presidenciais para a composição da Corte.

Para os parlamentares ligados à direita, a formação de uma maioria conservadora não será suficiente se a Presidência da Casa permanecer nas mãos de alguém sem disposição para colocar essas matérias em discussão.

Tereza Cristina já defendeu que a próxima legislatura analise os instrumentos disponíveis para fiscalizar a atuação do Judiciário.

“As urnas deram um recado claro: o Senado Federal precisa discutir os mecanismos de fiscalização e controle do Poder Judiciário. Todos nós, políticos, devemos ser avaliados pela sociedade brasileira e fomos, pelo voto. Nenhuma autoridade está acima da lei. Esse é um debate necessário, maduro e que o Senado não pode mais adiar”, declarou.

Azambuja cobra equilíbrio entre os Poderes

Reinaldo Azambuja considera que a renovação do Senado criará condições para uma postura diferente diante do Supremo. O ex-governador sustenta que decisões individuais de ministros e interferências em atribuições de outros Poderes prejudicaram o equilíbrio institucional.

“Acho que o Congresso e o Senado têm um papel para resolver e vão fazer isso a partir de fevereiro”, afirmou.

Segundo Azambuja, eventuais processos contra integrantes do STF não deveriam ser tratados como vingança política, mas como exercício de uma competência constitucional do Senado. Ele avalia que possíveis crimes de responsabilidade devem ser examinados pela Casa dentro dos procedimentos legais.

O senador eleito também acredita que a nova composição reduzirá a capacidade de Alcolumbre de controlar sozinho as pautas mais sensíveis.

“A partir de fevereiro, teremos mudanças pelo tamanho das bancadas que foram eleitas. Os eleitores vão cobrar de nós responsabilidade”, disse.

Azambuja resume a posição defendida pelo grupo como uma tentativa de restabelecer a separação entre os Poderes: o Executivo administrando, o Legislativo elaborando as leis e o Judiciário atuando na solução dos conflitos.

Contar promete atuação sem omissão

Também eleito pelo PL, Capitão Contar adota um discurso semelhante. Ele afirma que a futura bancada não pretende se omitir diante de matérias relacionadas ao Supremo e considera a escolha do presidente do Senado o primeiro passo para colocar essa agenda em prática.

“Primeiro, precisamos eleger um presidente que tenha condições de enfrentar os problemas do Brasil”, declarou.

Contar apontou Tereza Cristina e Rogério Marinho como nomes preparados para assumir o posto. Segundo ele, existe entendimento entre os dois sobre a necessidade de evitar uma divisão dentro do mesmo campo político.

O senador eleito também defende a revisão de decisões relacionadas a Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos processos decorrentes dos atos investigados como tentativa de ruptura institucional. Para Contar, a discussão sobre anistia será uma das prioridades da próxima legislatura.

Resultado presidencial deverá influenciar negociação

A definição do comando do Senado estará diretamente relacionada ao resultado da disputa pelo Palácio do Planalto. Uma vitória de Flávio Bolsonaro tende a fortalecer as candidaturas alinhadas à direita e ampliar a pressão por mudanças na relação com o STF.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, por outro lado, poderá levar partidos de centro a negociar uma composição mais próxima do atual governo, alterando a correlação de forças em torno de Tereza Cristina, Rogério Marinho e Davi Alcolumbre.

Na avaliação do ex-deputado federal Fábio Trad, a eleição presidencial determinará a velocidade e a intensidade de uma possível ofensiva contra integrantes do Supremo. Ele considera que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes deverá se tornar um dos principais alvos do novo bloco conservador.

Até fevereiro, as articulações deverão envolver não somente a definição de um candidato, mas também a distribuição de cargos na Mesa Diretora, o comando das comissões permanentes e compromissos relacionados às principais pautas da próxima legislatura.

Com Tereza Cristina na disputa e dois novos senadores alinhados ao mesmo campo político, Mato Grosso do Sul passa a ocupar uma posição de maior influência nessa negociação. A escolha do próximo presidente indicará se essa força será convertida em mudanças concretas na pauta do Senado e na relação entre o Legislativo e o Supremo.

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