Amigos empreendedores,
Eu entendo a frustração de vocês. Quem empreende sabe o que significa assumir riscos, manter empregos, pagar impostos e tentar crescer em um ambiente que tantas vezes parece jogar contra.
Falta ao Brasil uma agenda consistente de aumento da produtividade, redução da burocracia e fortalecimento das pequenas e médias empresas e das startups. Precisamos de um ajuste fiscal pelo lado da despesa, sem recorrer a novos aumentos de impostos, e de políticas que ajudem a construir as condições para juros mais baixos e crédito mais acessível.
Essas cobranças são legítimas e necessárias. Mas ameaçar funcionários de demissão por suas escolhas políticas, organizar listas de boicote contra quem pensa diferente ou interromper ações solidárias como retaliação não nos aproxima dessas conquistas. Apenas amplia a divisão e atinge pessoas que não deveriam pagar por nossas divergências.
Um governo eleito tem a obrigação de governar para toda a população, inclusive para quem não votou nele. E nós temos o direito de fiscalizar, criticar e cobrar resultados. O momento exige união em torno de objetivos comuns e capacidade de mobilização, mesmo quando há discordância.
Não existe país rico sem empresas prósperas. Empresas que investem, inovam e crescem geram empregos, renda e oportunidades. Defender um ambiente melhor para empreender é também defender melhores perspectivas para quem trabalha e para quem busca uma oportunidade.
Vamos cobrar uma atuação mais firme e coordenada das associações empresariais locais, estaduais e nacionais. Precisamos transformar nossas dificuldades cotidianas em propostas concretas e levá-las a quem tem poder para decidir.
Vamos cobrar dos deputados e senadores, especialmente daqueles eleitos com o compromisso de defender o empreendedorismo, uma agenda que vá além do discurso. Dos economistas e especialistas, propostas que ajudem a melhorar a qualidade do gasto público e a avaliar os resultados das políticas públicas. Do governo federal, coragem para enfrentar decisões difíceis, transparência para explicá-las e competência para atender quem mais precisa.
Abaixo-assinados, cartas abertas, debates públicos e manifestações pacíficas são instrumentos legítimos de participação. Nossa indignação pode se transformar em propostas, organização e cobrança persistente, com respeito às leis e ao processo democrático.
O Brasil tem motivos para confiar na própria capacidade. Temos empreendedores que transformam ideias em negócios de alcance global e startups que alcançaram o status de unicórnio (empresas avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão). Temos uma produção de alimentos de alcance mundial (Marfrig, JBS, BRF, Amaggi) e diversos cases de indústrias que ganharam o mundo (Embraer, WEG, Suzano, Ambev). Somos também o terceiro colocado no ranking global de capacidade instalada de energia renovável e temos a segunda maior reserva mundial de terras raras. São exemplos do que já construímos e das oportunidades que podemos desenvolver.
Podemos muito. Com uma agenda que fortaleça os negócios e amplie as oportunidades para a população, poderemos muito mais.
É por essa agenda que proponho que nos mobilizemos, independentemente de quem esteja no governo.
Por: Roberto de Moraes
Economista e empreendedor






