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Lula reverte resultado do primeiro turno e é reeleito presidente do Brasil de 2027 a 2030

Presidente venceu com 51,79% dos votos válidos após terminar o primeiro turno na segunda colocação; queda da abstenção e conquista de novos eleitores foram decisivas para a virada

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República e tornou-se o primeiro político brasileiro a vencer quatro eleições presidenciais. Com 64.256.232 votos, o petista alcançou 51,79% dos válidos e superou Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.

A diferença foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais. Lula governará o país pela quarta vez, depois dos mandatos iniciados em 2003, 2007 e 2023.

O feito permite uma comparação histórica com Franklin Delano Roosevelt, único presidente dos Estados Unidos eleito quatro vezes. Há, no entanto, diferenças importantes: Roosevelt conquistou mandatos consecutivos entre 1932 e 1944, enquanto Lula chegou ao quarto mandato em períodos não consecutivos.

A vitória também rompeu uma tradição das eleições presidenciais brasileiras. Desde a adoção do sistema de dois turnos, em 1989, é a primeira vez que o segundo colocado na etapa inicial consegue reverter o resultado e vencer a disputa final.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia recebido 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos. Lula ficou com 53.876.617, correspondentes a 45,16%. O senador encerrou aquela votação com uma vantagem superior a 2,2 milhões de votos.

No segundo turno, Lula acrescentou aproximadamente 10,38 milhões de votos ao resultado anterior. Flávio cresceu cerca de 3,72 milhões. Dessa maneira, a diferença inicialmente favorável ao candidato do PL foi revertida, e o petista terminou a eleição com mais de 4,4 milhões de votos de vantagem.

Participação maior influenciou a virada

A redução da abstenção foi um dos elementos centrais do segundo turno. O número de eleitores ausentes caiu de 33,46 milhões para aproximadamente 30,5 milhões. Na prática, cerca de 3 milhões de pessoas a mais compareceram às urnas.

A taxa de abstenção recuou de 21,08% para 19,22%, uma queda de 1,86 ponto percentual. Foi apenas a segunda eleição presidencial desde 1989 em que o segundo turno teve participação superior à primeira etapa. O outro caso ocorreu em 2022, quando a redução foi de aproximadamente 0,36 ponto percentual.

Também houve uma concentração maior dos votos válidos. O eleitorado que havia escolhido outros candidatos, votado em branco ou anulado o voto passou a ter somente duas opções na disputa final. Além disso, parte das pessoas que não compareceram na primeira etapa decidiu participar do segundo turno.

Uma comparação entre os resultados indica que Lula conquistou aproximadamente três de cada quatro votos líquidos incorporados à disputa entre os turnos. Esse cálculo considera o crescimento dos dois finalistas diante do aumento do total de votos válidos e da saída dos demais candidatos.

O dado, entretanto, não permite identificar individualmente de onde veio cada voto. Ele mostra uma tendência agregada e indica que Lula teve maior capacidade de atrair eleitores que não haviam escolhido nenhum dos dois candidatos na primeira etapa.

Minas Gerais muda de lado

Lula venceu em 13 estados, enquanto Flávio Bolsonaro foi o mais votado em outros 13 e no Distrito Federal. Apesar de conquistar a maioria das unidades da Federação, o candidato do PL foi derrotado na soma nacional, já que a eleição presidencial é definida pelo total de votos válidos em todo o país.

Minas Gerais foi a única unidade federativa que mudou de lado entre os dois turnos. Flávio havia vencido no Estado na primeira votação, mas Lula conseguiu a virada e terminou com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do adversário.

A diferença foi de 109.313 votos, equivalente a 0,86 ponto percentual. Minas manteve, assim, a tradição observada desde a redemocratização de votar majoritariamente no candidato que termina eleito presidente.

O Nordeste sustentou a principal vantagem de Lula. O petista venceu nos nove estados da região e também ficou à frente no Amazonas, Amapá, Pará e Minas Gerais.

Flávio predominou no Sul, no Centro-Oeste e na maior parte do Sudeste. O candidato venceu em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além dos três estados sulistas e de diferentes unidades do Norte.

Entre os brasileiros que votaram no exterior, Lula recebeu 53,86% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 46,14%.

Flávio mantém vantagem em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, Flávio Bolsonaro confirmou o desempenho superior registrado na primeira etapa. O candidato do PL recebeu 927.892 votos, equivalentes a 59,6% dos válidos.

Lula alcançou 628.973 votos, ou 40,4%. A diferença entre os dois candidatos no Estado foi de 298.919 votos.

Embora tenha sido derrotado em território sul-mato-grossense, Lula ampliou sua participação em comparação com o primeiro turno, quando havia recebido 34,68% dos votos válidos. Flávio também avançou, mas em proporção menor, após registrar 58,60% na primeira votação.

Resultado contrariou a maioria das pesquisas

O desfecho das urnas contrariou a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro indicada pela maioria das pesquisas divulgadas na reta final.

Levantamentos de institutos como Datafolha, Quaest, CNT/MDA, AtlasIntel e Nexus mostravam Flávio numericamente à frente, embora parte dos resultados configurasse empate técnico devido às margens de erro.

A Vox Brasil foi uma das poucas pesquisas finais a apresentar Lula na liderança. O levantamento indicava 50,6% dos votos válidos para o petista e 49,4% para Flávio, também dentro da margem de erro.

O resultado não significa necessariamente que todos os institutos tenham apontado uma vitória estatisticamente segura do candidato do PL. Em vários levantamentos, a distância era pequena demais para definir quem estava efetivamente à frente. Ainda assim, a direção numérica predominante acabou divergindo das urnas.

Mercados e plataformas de previsão também começaram o domingo atribuindo maior probabilidade de vitória a Flávio. As estimativas mudaram durante a apuração, quando a entrada dos votos de diferentes regiões passou a favorecer Lula.

Segundo turno define seis governos

Além da disputa presidencial, eleitores de cinco estados e do Distrito Federal voltaram às urnas para escolher governadores.

No Acre, Mailza Assis (PP) foi reeleita com 66,21% dos votos válidos. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) venceu com 61,42%.

Celina Leão (PP) garantiu a reeleição no Distrito Federal com 57,18%. No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi eleito com 52,17%.

A disputa mais apertada ocorreu no Rio Grande do Norte, onde Cadu de Lula (PT) obteve 50,77% dos votos. No Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB) venceu com 64,52%.

Com a conclusão do segundo turno, ficaram definidos os governadores das 27 unidades da Federação e a Presidência da República. Lula iniciará o novo mandato em janeiro de 2027, em um país que encerrou a eleição novamente dividido, mas com participação maior do eleitorado e uma virada inédita na história presidencial brasileira.

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