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Último debate antes das eleições reforça bases de Lula e Flávio sem apontar vencedor claro

Analistas viram vantagens distintas no confronto da Globo, mas avaliam que nenhum dos candidatos apresentou uma novidade capaz de alterar significativamente a disputa

O último debate antes do segundo turno terminou sem consenso sobre quem teve o melhor desempenho. No confronto realizado pela TV Globo na noite de sexta-feira (23), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram estratégias diferentes, alternaram momentos de vantagem e concentraram parte do tempo em acusações mútuas.

Especialistas ouvidos após o programa consideraram que o encontro serviu principalmente para consolidar o apoio dos eleitores já identificados com cada candidatura. A avaliação predominante foi de que não houve uma proposta, resposta ou erro grave capaz de provocar uma mudança expressiva na corrida presidencial, cuja votação ocorre neste domingo (25).

Lula apresentou postura mais segura e combativa, especialmente na segunda metade do debate. O presidente explorou temas relacionados à educação, ao trabalho e à trajetória política do adversário, além de pressionar Flávio por respostas sobre episódios envolvendo pessoas próximas ao senador.

Para a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lula terminou o confronto em vantagem. Paulo Ramirez, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing, também avaliou que o petista cresceu no bloco final, depois de duas etapas iniciais mais equilibradas.

Flávio, por outro lado, obteve melhor desempenho ao tratar da economia. O candidato utilizou exemplos relacionados ao endividamento das famílias, aos juros e ao custo de vida para questionar os resultados do atual governo. Os analistas observaram que o senador conseguiu traduzir assuntos econômicos para uma linguagem mais próxima do cotidiano, enquanto Lula teve dificuldades para conectar indicadores de sua gestão à realidade dos eleitores.

A postura de Flávio também foi considerada mais moderada na comparação com o primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band. O senador iniciou o confronto de maneira mais cautelosa e chegou a pedir desculpas por ter chamado Lula de “nove dedos” anteriormente.

O episódio, no entanto, abriu espaço para Lula destacar sua origem operária. O presidente lembrou que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho quando atuava como torneiro mecânico. A discussão permitiu ao petista reforçar sua ligação com os trabalhadores e explorar as diferenças sociais entre as trajetórias dos candidatos.

Para Érico Oyama, da BMJ Consultores, Flávio apresentou evolução e teve desempenho superior ao do adversário. O analista ponderou, contudo, que ambos falaram principalmente para seus próprios apoiadores, sem conseguir alcançar de forma decisiva o eleitorado ainda indeciso.

Tatiana Vargas-Maia, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observou que o formato mais organizado da Globo favoreceu discussões sobre assuntos específicos. Segundo ela, Lula demonstrou maior controle emocional, enquanto Flávio começou mais contido, mas recuperou gradualmente o tom agressivo associado à sua campanha.

Nos momentos finais, o debate abandonou as propostas e passou a ser dominado por acusações sobre patrimônio, relações empresariais, familiares dos candidatos e casos investigados nos últimos anos. Entre os assuntos mencionados estavam uma ilha atribuída ao jogador Richarlison, as ligações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, o caso Covaxin e questionamentos envolvendo um dos filhos de Lula.

A quantidade de acusações, muitas delas apresentadas sem explicações completas, dificultou a compreensão do eleitor. Enquanto alguns analistas entenderam que Lula conseguiu pressionar Flávio e expor o desconforto do adversário, outros consideraram que a troca de ataques não trouxe qualquer contribuição relevante para a escolha do próximo presidente.

Ao final, o debate mostrou dois candidatos mobilizados para impedir a perda de votos na reta final. Lula apostou na experiência, na trajetória ligada ao trabalho e nos programas sociais. Flávio concentrou sua estratégia nas críticas à economia, no desgaste do governo e na tentativa de apresentar uma postura mais moderada. A resposta sobre qual abordagem foi mais eficiente será dada pelos eleitores neste domingo.

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