Formação orienta participantes sobre elaboração de projetos, portfólios, editais e possibilidades de financiamento para fortalecer a economia criativa local
Uma boa ideia pode dar origem a uma feira literária, uma oficina cultural, um espetáculo, uma produção artística ou diferentes experiências voltadas ao público. Para transformar essas iniciativas em projetos estruturados, no entanto, é preciso saber organizar objetivos, orçamento, documentação, portfólio e estratégia de apresentação. Foi com esse propósito que profissionais da economia criativa de Três Lagoas participaram da capacitação “Elaboração de Projetos e Portfólio para Criativos”.
Promovida pelo Sebrae/MS, a formação reuniu 15 participantes e foi estruturada como uma jornada de 70 horas, combinando encontros presenciais, atividades on-line e duas horas de consultoria individual para cada integrante. A iniciativa surgiu a partir de uma demanda da Diretoria de Cultura do município e busca ampliar a capacidade dos profissionais de transformar ideias em propostas consistentes, aptas a concorrer em editais e buscar diferentes formas de financiamento.
A programação abordou construção de projetos, elaboração de portfólios, planejamento, organização documental, orçamento, prestação de contas, leis de incentivo à cultura e oportunidades disponíveis em editais. O conteúdo também dialogou com chamadas municipais abertas, permitindo aos participantes trabalhar propostas conectadas a possibilidades reais de inscrição.
A capacitação integra as ações do programa Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Três Lagoas.
Para a gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, trabalhar com a economia criativa significa reconhecer que conhecimento técnico também pode ampliar as possibilidades de quem transforma talento e repertório cultural em atividade profissional.
“Temos pessoas muito criativas, com boas ideias e capacidade de produzir, mas nem sempre elas conhecem os caminhos necessários para estruturar uma proposta e buscar os recursos disponíveis para colocá-la em prática. Quando esse profissional aprende a construir um projeto, organizar seu portfólio e compreender como funcionam os mecanismos de incentivo, passa a enxergar novas possibilidades para aquilo que já sabe fazer. Nosso objetivo é justamente contribuir para que esses talentos tenham mais autonomia e condições de transformar suas ideias em iniciativas viáveis”, destacou.

Da ideia ao projeto
A formação foi conduzida pela facilitadora Cláudia de Medeiros, que trabalhou com o grupo não apenas a estrutura técnica das propostas, mas também a relação entre produção cultural, identidade local e desenvolvimento territorial.
“Quando existe um edital, principalmente municipal, ele tem uma finalidade. Então é importante pensar o que aquele projeto pode entregar para a cidade. Trabalhamos esse olhar sobre Três Lagoas, seus símbolos e sua paisagem cultural, porque a economia criativa também pode ser uma estratégia de desenvolvimento do território”, explicou.
A turma reduzida foi pensada para permitir acompanhamento mais próximo e aprofundamento das particularidades de cada proposta. Segundo Cláudia, a combinação entre atividades coletivas e consultorias individuais ajuda a lidar com projetos muito diferentes entre si.
“Cada projeto tem uma finalidade e exige uma forma própria de apresentação. Por isso, a consultoria individual é tão importante. A expectativa é que esse grupo crie uma rede de conhecimento, se ajude e multiplique o que aprendeu. E, no futuro, que esses profissionais dependam cada vez menos dos editais e consigam fortalecer uma cadeia produtiva criativa na cidade”, afirmou.
Para o secretário municipal de Turismo e Cultura, Stênio Congro, a iniciativa também contribui para profissionalizar a atuação dos agentes culturais e ampliar as possibilidades de inserção no mercado.
“Queremos que esses profissionais consigam estruturar melhor suas propostas, organizar seus portfólios e apresentar seus trabalhos de forma mais estratégica. Mais do que uma capacitação, buscamos incentivar o empreendedorismo cultural, fortalecer essa rede e reconhecer a cultura também como uma atividade capaz de gerar renda, trabalho e desenvolvimento para Três Lagoas”, destacou.

Projetos que começam a ganhar forma
Entre os participantes está Sandra Jurado, integrante de um coletivo literário que pretende estruturar uma feira de livros com participação de autores locais e regionais.
“A gente tinha o sonho de realizar uma feira literária, mas precisava entender tudo o que existe por trás da estruturação de um projeto. São muitos documentos e detalhes, e aqui estamos aprendendo como organizar isso melhor. Começamos pensando nos editais municipais, mas esse conhecimento também vai servir para outras oportunidades. O sonho começou pequeno e agora está ganhando forma”, contou.
A proposta do grupo é que a iniciativa possa se tornar recorrente e ampliar a relação entre escritores, leitores e diferentes públicos da cidade.
Outra participante, Verônica de Morais Matos, está desenvolvendo o projeto “Cozinha Ancestral – Saberes e Sabores de Axé”, voltado à preservação e difusão de conhecimentos ligados à culinária de terreiro.
“Uma coisa é ter a ideia na cabeça e outra é conseguir colocá-la no papel. Trabalhamos orçamento, prestação de contas, documentação e a forma como a proposta será analisada. Isso expandiu muito a minha visão e mostrou o que precisa ser considerado para transformar uma ideia em projeto”, afirmou.
A proposta de Verônica prevê momentos teóricos e atividades práticas para compartilhar saberes, histórias e preparos tradicionais com a comunidade.

Conhecimento que pode se multiplicar
Além de preparar os participantes para editais e outras possibilidades de financiamento, a formação busca estimular uma rede capaz de compartilhar conhecimento e fortalecer a atuação coletiva dos profissionais da economia criativa.
A expectativa é que os projetos iniciados durante a capacitação continuem sendo desenvolvidos após o encerramento das atividades, permitindo que os participantes busquem novas parcerias, recursos e espaços de atuação.
Ao aproximar criatividade, planejamento e conhecimento sobre mecanismos de financiamento, a iniciativa pretende contribuir para que artistas, produtores, artesãos, escritores e outros profissionais tenham mais autonomia para estruturar seus trabalhos e ampliar sua presença no mercado.





