Setor ampliou participação no PIB, pagou R$ 7 bilhões em salários e respondeu por metade dos empregos criados no Estado em 2026
Se todos os trabalhadores da indústria de Mato Grosso do Sul fossem reunidos em um único município, essa cidade teria aproximadamente 181 mil habitantes. Seria a terceira mais populosa do Estado, atrás somente de Campo Grande e Dourados.
A comparação dimensiona a expansão conquistada pelo setor ao longo das últimas décadas. Atualmente, mais de 8,2 mil empresas industriais estão em atividade no território sul-mato-grossense, gerando empregos, movimentando fornecedores e transformando matérias-primas produzidas no próprio Estado.
Os dados integram um levantamento do Observatório da Indústria da Fiems divulgado em comemoração aos 49 anos de criação de Mato Grosso do Sul, celebrados em 11 de outubro.
Salários superam orçamento da Capital
O impacto da indústria também pode ser medido pelo dinheiro injetado na economia. Em 2025, as empresas do setor pagaram R$ 7 bilhões em salários aos trabalhadores.
O valor supera todo o orçamento público projetado para Campo Grande em 2026, estimado em R$ 6,97 bilhões. A massa salarial industrial circula pelo comércio, pelos serviços e por diferentes cadeias econômicas dos municípios onde as empresas mantêm suas operações.
Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, a industrialização permite que a transformação de matérias-primas dentro do Estado seja convertida em renda e oportunidades para a população.
“Quero parabenizar Mato Grosso do Sul pelos seus 49 anos e todos que ajudam a construir essa história, trabalhadores, empresários e a sociedade. A gente vê grandes empresas se instalando aqui, outras ampliando suas operações, e com isso mais oportunidades estão surgindo. Vivemos um bom momento, e a indústria contribui muito para esse avanço”, afirmou.

Participação no PIB quase triplicou
O crescimento industrial provocou uma mudança expressiva na composição da economia estadual. Em 2002, a indústria de transformação representava aproximadamente 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul. Cinco anos depois, a participação havia subido para 6,85%.
Em 2023, dado mais recente disponível, o setor alcançou 14,74% do PIB estadual, o equivalente a R$ 23,8 bilhões.
Com esse avanço, a indústria de transformação passou da sétima para a terceira colocação entre os segmentos com maior contribuição para a economia sul-mato-grossense.
Quando a administração pública é retirada do cálculo e são consideradas apenas as atividades produtivas privadas, a indústria já ocupa a segunda posição, atrás somente da agropecuária.
O movimento foi impulsionado pela expansão de cadeias como celulose, proteína animal, biocombustíveis, etanol de milho, processamento de soja e transformação de base florestal.
Estado passou a processar sua própria produção
Outro indicador dessa mudança é o Valor da Transformação Industrial (VTI), que cresceu 179% em Mato Grosso do Sul nos últimos dez anos. Segundo os dados do IBGE apresentados pela Fiems, foi o maior avanço registrado no País durante o período.
O VTI representa a riqueza gerada pela indústria ao transformar matérias-primas em produtos de maior valor. O cálculo considera a diferença entre o valor final da produção e o custo dos insumos empregados no processo.
Na prática, quanto maior esse indicador, maior é a parcela de riqueza que permanece no Estado por meio de salários, serviços contratados, arrecadação, investimentos e lucro das empresas.
O desempenho mostra que Mato Grosso do Sul deixou de atuar somente como fornecedor de produtos primários e passou a processar uma parcela crescente de sua produção agropecuária e florestal.
“O resultado é uma economia mais diversificada e menos dependente da exportação de matérias-primas sem processamento. Em vez de apenas produzir, Mato Grosso do Sul passou a agregar valor dentro de suas próprias fronteiras. O saldo é a criação de empregos, atração de investimentos e aumento da sua participação nos mercados nacionais e internacionais”, avaliou o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende.
Metade dos novos empregos veio da indústria
A expansão dos empreendimentos também aparece no mercado de trabalho. Entre janeiro e agosto de 2026, a indústria respondeu por aproximadamente 50% de todas as vagas formais abertas em Mato Grosso do Sul.
A construção civil teve participação relevante nesse resultado, impulsionada por investimentos bilionários relacionados principalmente à cadeia florestal e à produção de celulose.
Atualmente, cerca de um em cada quatro trabalhadores com carteira assinada no Estado está empregado em alguma atividade industrial.
Além dos postos diretamente ligados às fábricas e aos canteiros de obras, os investimentos movimentam transportadoras, oficinas, prestadores de serviços, comércio, alimentação, hospedagem e fornecedores de diferentes portes.

Exportações industriais alcançam 153 países
A indústria também ocupa a liderança na geração de receitas com as exportações de Mato Grosso do Sul. Produtos industrializados no Estado são vendidos para 153 países.
Em 2025, as vendas externas do setor somaram US$ 7,8 bilhões. A celulose e o papel lideraram a pauta, com US$ 3,1 bilhões e participação de 40% no total.
O complexo frigorífico respondeu por 32% das exportações industriais, com receita de US$ 2,5 bilhões. O setor sucroenergético movimentou US$ 806 milhões, enquanto os produtos derivados do processamento de soja e milho, como óleos, farelos e pellets, alcançaram US$ 561 milhões.
Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações industriais chegaram a US$ 5,39 bilhões. O resultado é o maior para o período em toda a série histórica e representa crescimento de 5% em comparação com os mesmos meses de 2025.
Os indicadores revelam uma transformação estrutural na economia estadual. A agropecuária continua ocupando posição central, mas uma parcela cada vez maior da produção passa por processos industriais antes de chegar aos mercados brasileiro e internacional.
A “cidade da indústria”, formada simbolicamente por 181 mil trabalhadores, ajuda a mostrar a dimensão humana desse movimento. Por trás dos bilhões movimentados estão profissionais distribuídos pelos municípios sul-mato-grossenses e diretamente envolvidos na mudança do perfil econômico do Estado.





