Governador reeleito fará reuniões com antigos auxiliares e pretende definir até janeiro uma nova configuração para o alto escalão
Reeleito no primeiro turno com 914.323 votos, o equivalente a 67,07% dos votos válidos, Eduardo Riedel (PP) iniciou nesta semana as articulações para o segundo mandato à frente do Governo de Mato Grosso do Sul. Entre as primeiras decisões estará a definição da equipe que assumirá as secretarias estaduais a partir de janeiro de 2027.
Embora tenha manifestado satisfação com o desempenho do atual secretariado, o governador não descarta mudanças no alto escalão. Em entrevista concedida ao Midiamax, Riedel afirmou que o período de transição será utilizado para reorganizar áreas do governo, avaliar resultados e conversar com os profissionais que poderão integrar a próxima gestão.
“Eu estou muito satisfeito com o grupo que está aí, que tem entregado muitos resultados. Agora, sempre é uma mão de duas vias, não é só eu querer que participem. As pessoas precisam querer participar dentro daquele modelo e daquela visão”, declarou.
Segundo ele, a composição será discutida nos próximos meses para que o novo governo comece 2027 com uma estrutura alinhada às prioridades do segundo mandato.
Ex-secretários serão chamados para conversar
Riedel deverá se reunir nos próximos dias com auxiliares que deixaram o governo para participar das eleições. O grupo inclui Viviane Luiza, Marcelo Miranda, Jaime Verruck, Fernando Souza e Malu Fernandes, que não conquistaram os cargos disputados.
O governador também conversará com Frederico Felini, que se afastou da Secretaria de Administração para coordenar a campanha eleitoral.
Riedel afirmou que todos possuem proximidade com o projeto político do governo, mas pretende conhecer os planos individuais antes de decidir se haverá retorno à administração estadual.
“São todos próximos e alinhados. Eu vou entender com eles também os caminhos de cada um e conversar com eles esta semana”, explicou.
As conversas não significam, necessariamente, a recondução aos cargos anteriormente ocupados. As decisões deverão considerar a disposição dos antigos auxiliares, o perfil pretendido para cada área e as metas estabelecidas para o período de 2027 a 2030.
Hospitais e rodovias entram na lista de prioridades
Além da reorganização administrativa, Riedel sinalizou que o próximo mandato deverá aprofundar projetos iniciados nos últimos quatro anos, especialmente nas áreas de saúde e infraestrutura.
Entre as prioridades estão a construção do Hospital Regional de Corumbá e as obras do Hospital Regional de Campo Grande. A expectativa do governador é avançar com as ordens de serviço a partir de 2027.
Na infraestrutura rodoviária, ele pretende ampliar a articulação para viabilizar a duplicação dos trechos entre Campo Grande e Sidrolândia e entre a Capital e Aquidauana.
Apesar de as rodovias pertencerem ao governo federal, Riedel defende que o Estado participe ativamente da busca por soluções. Entre as alternativas mencionadas estão a mobilização da bancada federal, a negociação com a União e a possibilidade de concessão dos trechos.
Para o governador, o atual fluxo de veículos e as condições das estradas tornam as intervenções indispensáveis.
Governo avaliará novos ajustes nas despesas
A situação fiscal de Mato Grosso do Sul também será analisada durante a transição. O governo estadual mantém, desde 2025, medidas para limitar despesas e melhorar o equilíbrio das contas públicas. Em 2026, foram mantidos o controle de gastos e a redução de 25% em contratos da administração.
Riedel afirmou que as projeções de receitas e despesas serão revisadas antes do início do novo mandato. A avaliação definirá se haverá necessidade de novas reduções ou se o Estado terá espaço para ampliar investimentos em determinadas áreas.
“É na transição que a gente vai calibrar muito bem receita, despesa, áreas e eventuais cortes ou não. Vamos entrar em 2027 com a rédea do Estado na mão, como sempre tivemos, cientes de cada passo, apesar das dificuldades e das crises”, afirmou.
Segundo turno nacional influenciará planejamento
O governador também espera o resultado do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, antes de fechar parte das estratégias para os próximos quatro anos.
Segundo Riedel, a condução do governo federal terá influência na relação com os estados, no ambiente econômico e na execução de projetos que dependem de recursos ou autorização da União.
Com a definição da disputa nacional, a administração estadual pretende avaliar o perfil do próximo governo federal e ajustar suas prioridades de articulação política e institucional.
Até janeiro, Riedel deverá conciliar as discussões sobre a equipe, o planejamento financeiro e a definição das principais entregas previstas para o início do segundo mandato.


