Equipamentos foram retirados após a concessão da rodovia; MPF cobra medidas emergenciais da empresa responsável pelo trecho
A retirada dos radares transformou a travessia urbana da BR-262 em um ponto de preocupação para quem circula por Três Lagoas. Sem a fiscalização eletrônica, motoristas e motociclistas têm abusado da velocidade com frequência, inclusive em trechos marcados por cruzamentos, acessos a bairros, empresas e intensa movimentação de pedestres.
A Avenida Ranulpho Marques Leal, denominação da rodovia no perímetro urbano, funciona como uma das principais ligações da cidade. Além dos veículos locais, recebe diariamente caminhões, carretas, ônibus e viajantes que seguem para outras regiões. A combinação entre tráfego pesado e excesso de velocidade torna as entradas e travessias mais arriscadas.
Os radares foram removidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após a transferência da rodovia para a iniciativa privada. Desde então, condutores passaram a desenvolver velocidades maiores em pontos onde anteriormente eram obrigados a reduzir.
Entre os locais que perderam os equipamentos estão as proximidades da Unidade 2 da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o cruzamento com a Avenida Ponta Porã e a Rua Egídio Thomé, a interseção com a Avenida Capitão Olyntho Mancini e a região próxima ao Leiloado.
Sem a fiscalização, atravessar ou acessar a rodovia ficou mais complicado. Em determinados horários, a sequência de veículos em alta velocidade reduz as oportunidades de entrada na pista e exige atenção redobrada de condutores, ciclistas e pedestres.

MPF exige providências
O agravamento dos riscos levou o Ministério Público Federal (MPF) a cobrar medidas da concessionária responsável pela Rota da Celulose. A empresa recebeu prazo de 15 dias para informar quais providências pretende adotar para melhorar a segurança na travessia urbana.
O órgão também solicitou a instalação emergencial de dispositivos para reduzir a velocidade. Entre as intervenções avaliadas está a implantação de uma nova lombada eletrônica nas proximidades da UFMS, onde estudantes e trabalhadores atravessam diariamente a rodovia.
A cobrança, porém, chama atenção para uma situação que ultrapassa o acesso à universidade. A retirada simultânea de equipamentos em diferentes pontos deixou uma extensa área urbana sem controle eletrônico de velocidade.
Com isso, a concessionária deverá avaliar não apenas uma intervenção isolada, mas um conjunto de soluções para organizar o tráfego. Lombadas eletrônicas, radares, sinalização reforçada, iluminação, faixas de travessia e adequações nos acessos estão entre as medidas que poderão ser analisadas.

Responsabilidade passou para a concessionária
A administração do trecho entre a divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo e o entroncamento com a BR-163, em Campo Grande, passou para a iniciativa privada em 6 de fevereiro. A concessão inclui a parte da BR-262 que corta Três Lagoas.
Após a mudança, o DNIT retirou os radares por entender que não deveria manter equipamentos custeados com recursos públicos em uma rodovia agora administrada por uma empresa privada.
A responsabilidade pelas intervenções passou, portanto, para a concessionária. Além de manter a pista e executar obras, a empresa deve monitorar o tráfego e implantar dispositivos capazes de reduzir os riscos nos pontos mais movimentados.
A concessionária Caminhos da Celulose informou que avalia novas medidas de moderação de tráfego. A expectativa é que a resposta encaminhada ao MPF apresente as soluções previstas e os prazos para sua implantação.
Enquanto nenhuma providência efetiva é executada, a recomendação é para que os condutores respeitem os limites de velocidade e redobrem a atenção. A BR-262 continua sendo uma rodovia federal, mas, dentro de Três Lagoas, atravessa uma área urbana que exige comportamento compatível com a presença constante de pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos entrando ou saindo da pista.






