A Delegacia de Polícia Civil de Terenos está sob novo comando após a prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, investigado por suposta participação em um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul.
Portaria publicada no Diário Oficial do Estado formalizou a dispensa de Hoffman da função de confiança de delegado titular da unidade. A medida não representa demissão do cargo efetivo de delegado, mas a retirada da chefia que ele exercia em Terenos. Antes da mudança, o servidor já havia sido afastado compulsoriamente enquanto permanecer preso preventivamente.
A delegada Bárbara Camargo Alves foi designada para responder pelo expediente da delegacia entre 24 de setembro e 23 de outubro. Ela atua como adjunta da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande e assumirá temporariamente as atividades administrativas e operacionais da unidade.
Hoffman está preso desde quinta-feira (24), quando foi alvo da Operação Infiltrados. A prisão preventiva foi mantida após audiência de custódia, e o delegado deve permanecer em uma unidade prisional à disposição da Justiça.
As medidas são cautelares, e os investigados não são considerados culpados antes da conclusão do processo e de eventual condenação definitiva.
Drogas apreendidas teriam voltado ao tráfico
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação procura esclarecer como entorpecentes retirados de circulação em operações policiais teriam sido desviados e entregues novamente a traficantes.
Uma das suspeitas é de que parte da droga encontrada durante determinadas ocorrências, principalmente cocaína, não fosse incluída nos registros oficiais. A quantidade documentada seria menor do que o volume efetivamente apreendido, permitindo que a diferença fosse desviada.
Outra frente da investigação apura a possível retirada de entorpecentes que já haviam sido registrados e estavam armazenados em depósitos de delegacias. Segundo a apuração, as drogas seriam posteriormente repassadas a integrantes do grupo responsáveis por recolocá-las no mercado ilegal.
O caso chama atenção porque servidores encarregados de combater o tráfico teriam utilizado o acesso a informações, apreensões e estruturas policiais para beneficiar a própria organização investigada.
Operação cumpriu dezenas de mandados
A Operação Infiltrados teve como alvos policiais civis, militares, um policial penal e outros suspeitos de integrar ou colaborar com o esquema. Foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 ordens de busca e apreensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Além de Hoffman, sete investigadores da Polícia Civil foram afastados de suas atividades. Armas, carteiras funcionais e outros bens institucionais foram recolhidos, enquanto as credenciais de acesso aos sistemas policiais foram suspensas.
A apuração teve início em outubro de 2025, depois que elementos relacionados ao possível desvio de drogas foram identificados durante as operações Traquetos e Blindspot, também realizadas pelo Gaeco. As investigações continuam para determinar a participação de cada suspeito, o volume de entorpecentes retirado das apreensões e o destino dado às drogas.



