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Povos indígenas de MS criam cooperativa estadual para ampliar renda e acesso a mercados

COOPIMS reúne 37 lideranças de sete municípios e nasce com a proposta de fortalecer a produção, proteger conhecimentos tradicionais e reduzir a dependência de intermediários

Lideranças Terena, Kadiwéu e Guarani-Kaiowá se reúnem nesta quinta-feira (24), em Campo Grande, para fundar a Cooperativa dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul (COOPIMS). A organização pretende transformar a produção das comunidades em uma força econômica coletiva, facilitando o acesso ao crédito, às compras públicas e a novos mercados.

A Assembleia Geral de Fundação será realizada às 14h, no auditório da Unidade Rua da Paz do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Durante a cerimônia também serão eleitos e empossados os integrantes da primeira diretoria.

Convocada pelo Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul (FOCAMS), a assembleia terá a participação de representantes de sete municípios, seis terras indígenas e 15 aldeias e comunidades. O documento de fundação é assinado por 37 lideranças, entre caciques, dirigentes de associações, professores, agricultores, pecuaristas, artesãos e profissionais com formação superior.

Segundo os organizadores, será a primeira cooperativa de alcance estadual criada para reunir, em uma mesma estrutura, a produção, a mão de obra e os conhecimentos de diferentes povos indígenas de Mato Grosso do Sul.

Além da comercialização de alimentos, artesanato e outros produtos, a COOPIMS pretende trabalhar com a proteção da cultura, das marcas coletivas e dos conhecimentos tradicionais relacionados à biodiversidade e à medicina indígena. A proposta também prevê iniciativas ligadas à biotecnologia, respeitando a autonomia e a governança de cada comunidade.

Produção ainda depende de intermediários

A criação da cooperativa busca enfrentar dificuldades que limitam a participação das comunidades indígenas na economia formal. Embora produzam gado, alimentos, cerâmica, artesanato e outros bens, muitas aldeias ainda não dispõem de escala comercial, emissão regular de notas fiscais, acesso a financiamento ou canais próprios de venda.

Essa falta de estrutura faz com que parte da produção chegue ao consumidor por meio de intermediários, reduzindo a parcela do valor que permanece nas comunidades.

Com personalidade jurídica, a COOPIMS poderá negociar coletivamente, firmar contratos e buscar participação em políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A organização também deverá facilitar o acesso a linhas de crédito e criar mecanismos para proteger conhecimentos tradicionais e produtos associados às identidades dos povos originários. Entre as atividades representadas estão a pecuária desenvolvida no território Kadiwéu, a agricultura familiar Terena, a produção artesanal e os saberes relacionados à biodiversidade do Cerrado e do Pantanal.

A proposta segue o conceito de etnodesenvolvimento, no qual a geração de trabalho e renda ocorre sem romper com o modo de vida, a organização social e a relação de cada povo com seu território.

Articulação alcança sete municípios

A composição da cooperativa revela a dimensão territorial da iniciativa. O grupo reúne representantes de comunidades localizadas em Campo Grande, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Porto Murtinho, Dourados e Caarapó.

Na Capital, participam representantes de Água Bonita e Índio Forte. Em Aquidauana, a articulação inclui Ipegue, Lagoinha, Esperança, Arara Azul, Água Branca, Limão Verde, Córrego Seco e a comunidade Txane.

Também integram o grupo a comunidade Água Azul, em Dois Irmãos do Buriti; Córrego do Ouro e Alves de Barros, no território Kadiwéu; Jaguapiru, em Dourados; e Te’ýikue, em Caarapó. Unidades produtivas Kadiwéu voltadas à pecuária também participam da fundação.

A iniciativa surge em um estado com 116.346 indígenas, conforme o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mato Grosso do Sul possui a terceira maior população indígena do Brasil, distribuída pelos 79 municípios. Em 12 anos, esse contingente cresceu 51%.

Três municípios que participam da fundação estão entre os cinco com maior população indígena no Estado. Campo Grande possui 18.439 indígenas, seguida por Dourados, com 12.054, e Aquidauana, com 9.428. Já a Terra Indígena Dourados reúne 13.473 moradores e aparece como a sexta mais populosa do País.

A criação da COOPIMS conta com o acompanhamento do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas de Campo Grande e do Instituto Cacique Enir Terena. O trabalho de estruturação também recebeu consultoria nas áreas de governança, propriedade intelectual, transferência de tecnologia e assessoria jurídica.

O Ministério Público Estadual disponibilizou apoio institucional e estrutura para a realização da assembleia, por meio da 67ª Promotoria de Justiça. Autoridades municipais, estaduais e federais também foram convidadas para acompanhar a cerimônia.

Serviço

Evento: Assembleia de Fundação, Eleição e Posse da Diretoria da COOPIMS
Data: quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Horário: 14h
Local: Auditório da Unidade Rua da Paz do MPMS
Endereço: Rua da Paz, 134, Centro, Campo Grande

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