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MS acelera produção de suínos e frangos em ano de crescimento nacional das carnes

Estado registra avanço nos abates e nas exportações de proteínas; no País, produção deverá alcançar 34,08 milhões de toneladas em 2026

O crescimento da suinocultura e da avicultura de Mato Grosso do Sul acompanha o avanço projetado para a produção brasileira de carnes em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, o Estado abateu 1,64 milhão de suínos e movimentou 78,1 milhões de frangos para abate, com aumentos de 16,97% e 7,58%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2025.

Os resultados estaduais reforçam a participação de Mato Grosso do Sul em um mercado nacional que deverá encerrar o ano com 34,08 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) representa crescimento de 2% sobre 2025. Para 2027, a projeção é de 34,26 milhões de toneladas, alta adicional de 0,5%.

Apesar do aumento da produção e das exportações, a oferta de carnes destinada aos consumidores brasileiros deve permanecer próxima de 22 milhões de toneladas. O cenário indica que a expansão dos embarques não deverá comprometer o abastecimento interno.

Suínos e frangos impulsionam resultados

A carne suína deverá apresentar o maior crescimento proporcional entre as três proteínas analisadas. A produção brasileira está estimada em 5,93 milhões de toneladas neste ano, aumento de 4,79%, favorecido pela ampliação do plantel de matrizes e pelos ganhos de produtividade.

As exportações nacionais de carne suína podem alcançar 1,58 milhão de toneladas em 2026, avanço de 6,49%. Ao mesmo tempo, a disponibilidade para o mercado interno deverá crescer 4,28%, chegando a 4,36 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso do Sul, o desempenho tem sido ainda mais expressivo. Entre janeiro e maio, foram abatidos 1.645.095 suínos, o maior volume da série comparada desde 2017. O resultado ficou 16,97% acima do registrado no mesmo intervalo do ano passado.

O comércio exterior também ganhou força. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Estado exportou 9,8 mil toneladas de carne suína e obteve receita de US$ 22,5 milhões. Em relação ao mesmo período de 2025, o volume cresceu 60,7% e o faturamento avançou 57,6%.

Com esse resultado, Mato Grosso do Sul ocupou a sexta posição entre os estados exportadores, respondendo por 1,6% da receita brasileira com a venda de carne suína ao exterior. Filipinas, Argentina e Hong Kong apareceram entre os principais destinos do produto estadual.

A tendência nacional permanece favorável para 2027. A produção brasileira de carne suína poderá chegar a 6,15 milhões de toneladas, com 1,65 milhão destinado às exportações e 4,52 milhões disponíveis no mercado interno.

A avicultura também deverá contribuir de forma decisiva para o crescimento do setor. A Conab estima uma produção nacional de 16,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2026, alta de 3,1%.

Os embarques brasileiros devem atingir 5,76 milhões de toneladas, crescimento de 11,53%. O movimento representa uma recuperação depois das restrições comerciais provocadas, em 2025, pelo registro de gripe aviária no Rio Grande do Sul.

Em Mato Grosso do Sul, 78,1 milhões de frangos foram movimentados para abate entre janeiro e maio, número 7,58% superior ao do mesmo período de 2025. Sidrolândia liderou a produção estadual, seguida por Itaquiraí, Aparecida do Taboado, Dourados e Iguatemi. Juntos, os cinco municípios responderam por 62,69% dos animais destinados ao abate.

As exportações sul-mato-grossenses de carne de frango somaram 71,8 mil toneladas nos primeiros cinco meses do ano, com receita de US$ 159 milhões. O faturamento cresceu 4,3%, apesar de uma redução de 1,3% no volume embarcado.

Mato Grosso do Sul respondeu por 3,9% da receita nacional com as exportações da proteína e ficou na sexta colocação no ranking brasileiro. Japão, Países Baixos e China foram os maiores compradores da carne de frango produzida no Estado.

Para 2027, a produção brasileira de frango deverá alcançar 16,7 milhões de toneladas. A oferta interna poderá subir para 10,9 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem chegar a 5,8 milhões.

Pecuária bovina inicia mudança de ciclo

A carne bovina segue uma trajetória diferente. A produção nacional deverá ficar em 11,84 milhões de toneladas em 2026, ligeiramente abaixo do resultado do ano anterior. A redução indica o começo de uma mudança no ciclo pecuário, marcada pela menor oferta de animais para abate.

A expectativa é que os produtores aumentem a retenção de fêmeas para recompor os rebanhos. Esse movimento reduz, inicialmente, a quantidade de bovinos encaminhados aos frigoríficos e pode limitar a disponibilidade de carne.

Mato Grosso do Sul já apresenta sinais dessa transição. Entre janeiro e julho, foram abatidos 2,38 milhões de bovinos no Estado, redução de 5% em relação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o volume ficou 7% acima da média registrada nos últimos cinco anos.

Mesmo com o recuo dos abates, o desempenho das exportações permanece positivo. A carne bovina sul-mato-grossense movimentou aproximadamente US$ 1,33 bilhão entre janeiro e julho, com crescimento de 43,57% no valor das vendas externas em comparação com o ano passado.

No cenário nacional, as exportações de carne bovina devem crescer 4,46% em 2026 e atingir 4,73 milhões de toneladas. Para 2027, a Conab projeta nova redução da produção, para 11,41 milhões de toneladas, enquanto os embarques poderão alcançar 4,84 milhões.

A combinação dos resultados mostra que Mato Grosso do Sul participa do avanço nacional de maneira diferente em cada cadeia. Suínos e frangos registram expansão nos abates e nas vendas externas, enquanto a bovinocultura mantém força no comércio internacional, mesmo diante dos primeiros sinais de menor oferta de animais.

A Conab também prevê crescimento na produção brasileira de ovos. A estimativa é de 49,7 bilhões de unidades em 2026, alta de 1,37%. Para 2027, o volume poderá chegar a 51,3 bilhões, avanço de 3,3%.

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