Banner TopoBanner TopoBanner TopoBanner TopoBanner Topo
Agronegócio Destaques

O que está por trás da queda histórica de 77% nos incêndios em pleno EL Niño

Como a aliança entre o produtor rural, manejo sustentável e inteligência de dados transformou o bioma em um escudo contra o fogo

O Pantanal registrou uma redução expressiva de 77,60% na área queimada em 2026, em comparação com sua média histórica entre 2012 e 2025, conforme apresentado no Boletim do Fogo, divulgado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. No entanto, a verdadeira notícia não é apenas o que aconteceu, mas como isso foi possível.

Em um ano em que o Brasil inteiro sofre sob a forte influência do fenômeno El Niño, que provoca estiagem prolongada e ondas de calor extremo, o risco de incêndios disparou em várias regiões do país. No cenário nacional, mais de 5,2 milhões de hectares já foram consumidos pelas chamas entre janeiro e o fim de agosto de 2026. Então, por que o Pantanal, historicamente vulnerável no período de seca, nadou contra a maré e limitou as chamas a 0,84% do bioma? A resposta está em uma mudança silenciosa de comportamento no campo. O produtor rural deixou de ser apenas a vítima que combate o fogo emergencial para se tornar o principal estrategista da prevenção.

Para a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), a queda nos índices é o reflexo direto de um novo modelo de ocupação e cuidado com a terra, aliado a pesados investimentos em inteligência governamental e manejo técnico. “Quando falamos em prevenção, precisamos olhar para o Pantanal como um território vivo e complexo. O produtor rural está diariamente nesse ambiente, conhece suas particularidades e pode contribuir de forma decisiva para uma cultura permanente de cuidado e prevenção”, afirma Guilherme Oliveira, diretor executivo da ABPO.

Fogo contra fogo

Em vez de apenas esperar a fumaça no horizonte, o Pantanal se antecipou. Uma das estratégias que explicam o sucesso deste ano, que tem os produtores rurais como grandes aliados, é o uso do “Manejo Integrado do Fogo”.

Dados oficiais mostram que a prevenção técnica ganhou uma escala inédita. Apenas até o início de setembro de 2026, foram realizadas 53 ações de queimas prescritas e controladas no bioma. Essa técnica permitiu o manejo com fogo preventivo em uma área de 19.600 hectares. Ao queimar o pasto seco de forma controlada antes do auge da estiagem, elimina-se o “combustível” que alimentaria os grandes incêndios devastadores.

Além disso, a estrutura de resposta foi dimensionada para não dar chance ao fogo. O bioma contou com um investimento do Governo de Mato Grosso do Sul, que saltou de R$ 10 mil em 2024, para um investimento de quase R$ 20 milhões em 2025.
Esse recurso ancorou o Centro Integrado de Coordenação Estadual (CICOE/MS). Hoje, bombeiros e fiscais não rodam às cegas. Eles operam guiados por inteligência geoespacial do sistema SIFAU e alertas meteorológicos do CEMTEC e CEMADEN. Quando o alerta soa, a resposta militar e ambiental é cirúrgica.

O produtor como escudo do Pantanal

A tecnologia mapeia, mas é o homem pantaneiro quem protege. A pecuária faz parte da economia e da paisagem do Pantanal e, por isso, o novo protocolo de produção sustentável da ABPO virou uma ferramenta indireta de proteção ambiental.

O protocolo exige dos pecuaristas rigorosa conformidade com o Código Florestal, respeito à biodiversidade e conservação das águas e do solo. Ao manter as pastagens bem manejadas e preservar as áreas úmidas, as fazendas funcionam como barreiras naturais contra a propagação das chamas.

A sustentabilidade precisa ser entendida de forma ampla, alerta Guilherme Oliveira. “Cuidar das pastagens, da água, da biodiversidade e das condições da propriedade é também compreender os riscos que existem no território. A prevenção precisa fazer parte dessa visão de longo prazo”.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Agronegócio

Comunidade Educa apresenta o evento Feijão Amigo, iniciativa solidária que transforma futuros

A Associação Filantrópica Comunidade Educa, movida pela generosidade de voluntários e doações, tem como missão transformar vidas por meio da
Agronegócio Destaques

Agro brasileiro pode ser chave contra mudanças climáticas

There are many variations of passages of Lorem Ipsum available but the majority have suffered alteration in that some injected