Movimento no canteiro aumenta procura por mão de obra, imóveis, alimentação e transporte; fábrica deverá receber mais de R$ 5 bilhões para iniciar a produção em 2029
A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) já começa a produzir efeitos em diferentes setores de Três Lagoas. O avanço das obras elevou a procura por trabalhadores, imóveis, alimentação, transporte e serviços de apoio, enquanto aproximadamente 1,2 mil profissionais atuam atualmente na construção e na montagem da fábrica.
A mobilização representa uma mudança concreta depois de mais de dez anos de paralisação. Empresas contratadas abriram frentes de trabalho nas áreas de construção civil, montagem industrial, elétrica, instrumentação e manutenção, devolvendo o empreendimento à rotina econômica do município.
Uma das primeiras empresas a iniciar as atividades foi a Engeko Engenharia, responsável por serviços que envolvem obras civis, montagem eletromecânica, infraestrutura elétrica, instrumentação e integração de sistemas. A companhia reúne mais de 400 trabalhadores, dos quais cerca de 80% são moradores de Três Lagoas.
As oportunidades abertas nesta etapa incluem funções como eletricista, carpinteiro, armador, caldeireiro, encanador industrial, mecânico montador, soldador, pedreiro, pintor industrial, operador de máquinas, topógrafo e ajudantes de diferentes especialidades.
O número de contratados deverá aumentar gradualmente com a entrada de novas empresas e a abertura de outras frentes de serviço. A estimativa apresentada durante a retomada do projeto aponta para a geração de aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos ao longo da conclusão do empreendimento.
Reflexos chegam ao comércio e ao mercado imobiliário
A movimentação não fica restrita ao interior do complexo industrial. A chegada de trabalhadores de outras regiões, somada à contratação de moradores, amplia o consumo em restaurantes, supermercados, hotéis, imobiliárias, empresas de transporte e estabelecimentos prestadores de serviços.
O mercado de locação está entre os segmentos que acompanham mais diretamente essa nova fase. Equipes mobilizadas para períodos prolongados precisam de casas, apartamentos e acomodações temporárias, elevando a busca por imóveis em diferentes regiões da cidade.
A cadeia de fornecedores também tende a ser beneficiada. Empresas de uniformes, equipamentos de proteção, manutenção, alimentação coletiva, lavanderia, transporte de passageiros e locação de máquinas encontram novas possibilidades de negócios ligadas ao funcionamento do canteiro.
Esse movimento reforça a necessidade de qualificação profissional. À medida que os trabalhos avançarem, a demanda deverá alcançar ocupações com diferentes níveis de especialização, especialmente aquelas relacionadas à indústria pesada e à montagem de grandes estruturas.
Fábrica deverá iniciar produção em 2029
A Petrobras aprovou a retomada da UFN3 em abril de 2026 e assinou, em junho, os contratos necessários para a continuidade das obras. O investimento adicional supera R$ 5 bilhões, e a previsão é que a produção comercial comece em 2029.
Projetada para fabricar diariamente cerca de 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, a unidade também poderá disponibilizar aproximadamente 180 toneladas de amônia excedente por dia para comercialização.
Os números foram apresentados pela Petrobras ao anunciar a retomada do empreendimento.
Quando estiver em operação, a fábrica poderá responder por aproximadamente 15% da demanda brasileira de ureia, insumo amplamente utilizado no agronegócio. A produção nacional ajudará a diminuir a exposição do País ao mercado externo de fertilizantes, atualmente marcado por forte dependência das importações.
A localização de Três Lagoas é considerada estratégica porque aproxima a unidade de grandes mercados consumidores de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Paraná. A cidade também dispõe de acesso rodoviário, ferroviário e à rede de gás natural necessária ao processo industrial.
As obras haviam sido interrompidas em 2015, deixando estruturas inacabadas e frustrando a expectativa de geração de empregos. Agora, a presença de 1,2 mil trabalhadores mostra que a retomada ultrapassou a fase de anúncios e começou a produzir resultados visíveis.
Com a ampliação progressiva do canteiro, a UFN3 volta a ocupar posição central no desenvolvimento econômico de Três Lagoas. Além da futura produção de fertilizantes, o empreendimento já movimenta renda, contratações e negócios locais antes mesmo de entrar em funcionamento.



