A manifestação ocorreu depois de Lula afirmar, na sexta-feira (24), que o Paraguai havia decidido invadir o território brasileiro. A declaração foi feita durante um discurso em defesa de investimentos nas Forças Armadas e na estrutura de defesa do país.
“Nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil”, disse o presidente.
Para os parlamentares paraguaios, a afirmação apresenta uma interpretação simplificada do conflito e reduz sua dimensão histórica. Travada entre 1864 e 1870, a guerra colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
A Declaração nº 1.836 afirma que a preservação da memória da guerra integra o patrimônio histórico, moral e cultural da sociedade paraguaia.
O documento também solicita que episódios relacionados ao conflito sejam tratados com responsabilidade, respeito às vítimas e espírito de reconciliação.
Apesar do repúdio, os deputados afirmaram que a defesa da interpretação histórica do Paraguai é compatível com a manutenção das relações diplomáticas e da cooperação regional com o Brasil.
A declaração foi divulgada pela Câmara dos Deputados do Paraguai.
A manifestação também retomou uma reivindicação antiga do país vizinho. A Câmara solicitou ao Poder Executivo paraguaio que faça gestões diplomáticas com o governo brasileiro para recuperar o canhão El Cristiano e outros objetos levados como troféus após a guerra.
A peça foi utilizada pelas tropas paraguaias durante o conflito e permanece no Brasil. Para os deputados, sua restituição representaria uma medida de preservação do patrimônio histórico nacional.
A declaração parlamentar não determina a devolução dos objetos. O documento apenas recomenda que o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai abra uma negociação diplomática com o governo brasileiro sobre o assunto.